Economia e Iraque dominam debate nos Estados Unidos

O democrata Barack Obama e o republicano Jonh McCain se encontraram na noite desta sexta-feira para o primeiro debate entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos. A crise econômica nos EUA dominou a primeira parte do encontro, com os dois candidatos discutindo o plano de salvamento de empresas em risco anunciado pelo governo George W.

BBC Brasil |

Bush na semana passada.

Iniciando o debate, Obama classificou a atual crise como a "pior desde 1929" e que terá impacto em toda a economia.

Falando sobre o pacote do governo Bush, o senador de Illinois reiterou algumas das demandas dos democratas em relação ao plano, pedindo um maior controle sobre como os US$ 700 bilões serão usados, propondo um limite nos ganhos dos executivos de empresas ameaçadas e pedindo que o pacote inclua ajuda para os americanos que correm o risco de perder suas casas por causa da crise nas hipotecas.

Obama também responsabilizou diretamente o governo Bush pela crise, afirmando que a atual conjuntura é fruto da desregulamentação promovida pela administração republicana e destacando que seu oponente, Jonh McCain, é do mesmo partido do presidente.

O republicano John McCain afirmou que os EUA estão vivendo "o final do começo da crise" e que depois do pacote ainda haverá muito trabalho a ser feito.

"De alguma forma, em Washington e Wall Street, a ganância foi recompensada. Isso não pode mais acontecer", disse o senador por Arizona, que foi provocado por Obama, que lembrou que há poucos dias o republicano declarou que os "fundamentos da economia (americana) eram bons".

McCain ainda defendeu o corte de gastos do Estado para colocar a economia americana nos eixos e acusou Obama de ser a favor de mais despesas.

Sobre as possíveis consequências da crise em seus governos, os candidatos desconversaram várias vezes, mas Obama afinal admitiu que o orçamento será menor no próximo ano e que "decisões difíceis" terão que ser tomadas.

Ele, no entanto, afirmou que, mesmo com as dificuldades, suas prioridades serão a independência energética dos EUA, a criação de um sistema de seguro-saúde e o investimento em ciência e educação.

Iraque
A política externa norte-americana, tema inicial do debate, começou a ser abordada na segunda parte do encontro, depois de uma pergunta do moderador, Jim Lehrer, sobre as lições que deveriam ser tiradas da guerra no Iraque.

O democrata Barack Obama, opositor de primeiro momento da guerra, afirmou que a pergunta que deve ser feita é "por que fomos à gerra?".

Obama afimou que, à época da invasão dos EUA ao Iraque, "o trabalho no Afeganistão ainda não havia terminado" e declarou que a Al-Qaeda está mais forte hoje.

McCain rebateu desqualificando as credenciais internacionais de Obama e criticando-o por ter não ter visitado o Iraque antes da campanha e "nem nunca ter pedido um encontro com o general Petraeus (ex-comandante da missão americana no Iraque)."
O republicano ainda elogiou à "escalada" (envio de mais 30 mil soldados ao país) das forças americanas no país como um dos motivos da queda nos índices de violência no Iraque e afirmou: "Estamos ganhando a guerra e voltaremos para casa com honra e vitória".

Obama também reafirmou seu plano de retirada do Iraque em 16 meses.

Rússia
McCain acusou Obama de ter sido "um pouco ingênuo" em suas respostas iniciais sobre o conflito entre a Rússia e a Geórgia no início de agosto deste ano. Segundo ele, Obama não foi capaz de avaliar a situação ao ter pedido moderação aos dois lados do conflito.

Obama respondeu afirmando que os eventos recentes fizeram "com que toda nossa abordagem em relação à Rússia precise ser reavaliada, porque uma Rússia agressiva é uma ameaça à estabilidade da região". Ele classificou a invasão da Ossétia do Sul por tropas russas de "ilegal".

O republicano Jonh McCain foi duro em relação é Rússia dizendo que ela se tornou "um país controlado por um governo formado por membros da KGB".

"Eu olhei nos olhos de Putin (premiê e ex-presidente russo) e vejo três letras: K-G-B".

De fato, o atual primeiro-ministro russo foi um agente do serviço secreto soviético.

McCain também defendeu a entrada da Geórgia e da Ucrânia na OTAN.

Irã
Perguntado sobre qual sua posição sobre o Irã, McCain afirmou que o regime de Teerã é uma ameaça à região e, graças à sua interferência no Iraque, também uma ameaça às tropas americanas.

Ele ainda propôs a formação de uma "liga de democracias" para colocar as sanções sobre o Irã que vem enfrentando oposição da Rússia na ONU.

O republicano - que se confundiu com a pronúncia do nome do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad - ainda criticou Obama por ter afirmado que negociaria com Teerã se vencer as eleições.

Obama respondeu afirmando que como presidente "se reserva o direito de se encontrar com qualquer um, na hora e lugar que escolher, para manter os EUA seguros".

O democrata ainda citou o ex-secretário de Estado republicano Henry Kissinger, afirmando que ele também defendeu o uso da diplomacia com o Irã.

Apesar de defender a diplomacia, Obama também afirmou que não irá "tolerar o Irã com poder nuclear".

Guerra contra o terror
O candidato republicano Jonh McCain declarou que os Estados Unidos estão mais seguros hoje do que depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, mas afirmou que ainda há muito trabalho a ser feito para deixar os americanos seguros.

Obama, por outro lado, apontou o crescimento da Al-Qaeda por 60 países e disse que os EUA devem fazer mais para combatê-la. Ele afirmou que país deve trabalhar sua imagem de "farol de luz" dos direitos.

"Uma das coisas que quero como presidente é restaurar a liderança dos EUA no mundo", disse.

Em diversos momentos, McCain tentou se distanciar do governo Bush, que tem baixos índices de aprovação.

"Eu fui contra o presidente em relação ao aumento de gastos, às políticas em relação às mudanças climáticas, à prisão de Guantánamo e sobre a estratégia no Iraque", disse.

McCain, de 72 anos, também criticou a suposta falta de experiência de Obama, que tem 47 anos. " Eu não preciso de nenhum treinamento para este trabalho (de ser presidente). Estou preparado para começar agora mesmo".

Segundo o correspondente da BBC em Washington Kim Ghattas, pelas reações de analistas e observadores não é possível apontar um vencedor claro no debate.

Adiamento do debate
Na última quarta-feira, o republicano Jonh McCain havia dito que estava suspendendo sua campanha e sugeriu que o debate fosse adiado por causa da crise econômica nos Estados Unidos.

A presença de McCain no debate foi confirmada por sua campanha apenas nesta sexta-feira.

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