Economia e impostos dão o tom do 2o debate entre Obama e McCain

Por John Whitesides NASHVILLE, Estados Unidos (Reuters) - O republicano John McCain e o democrata Barack Obama travaram uma batalha sobre impostos e no segundo debate entre candidatos à presidência dos EUA e prometeram ajudar a classe média do país, que enfrenta o que Obama qualificou de pior crise financeira desde a Grande Depressão.

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"Os americanos estão furiosos, eles estão perturbados e eles estão um pouco temerosos", disse McCain no debate na Universidade Belmont, em Nashville, Tennessee. "Nós não temos confiança e segurança em nossas instituições."

McCain propôs um novo programa governamental, a ser liderado pelo Departamento do Tesouro, que compraria hipotecas de proprietários de casas com problemas financeiros e substituiria esses títulos por novos contratos, com taxas fixas.

A campanha de McCain disse que o programa custaria cerca de 300 bilhões de dólares. Democratas no Congresso vêm pedindo há meses uma legislação para ajudar famílias com dificuldades para honrar as hipotecas de suas casas.

Obama disse que os trabalhadores da classe média, não apenas Wall Street, precisa de um plano de socorro que inclua cortes de impostos. O democrata afirmou também que o governo dos EUA deveria assegurar que os executivos de Wall Street não se beneficiem com bônus em pagamentos de companhias em dificuldades.

"Nós estamos na pior crise financeira desde a Grande Depressão, e eu acho que muitos de vocês estão preocupados com seus empregos, suas pensões, suas contas de aposentadoria", disse ele.

McCain retratou Obama como um defensor do aumento de impostos e disse que ele não estava disposto a desafiar seu partido.

Obama defendeu-se dizendo que seu plano tributário afetaria apenas quem ganha mais de 250 mil dólares por ano, e a maior parte dos pequenos empresários não seria taxada. O democrata afirmou que as políticas de McCain ajudariam os ricos e empurrariam os trabalhadores para o fundo do poço da economia.

PESQUISAS E ATAQUES

Obama solidificou sua liderança nas pesquisas nacionais para as eleições de 4 de novembro e ganhou vantagem em Estados que podem ser decisivos nas últimas semanas, enquanto a crise em Wall Street colocou o foco da campanha na economia, área em que o democrata e senador por Illinois é mais bem avaliado pelos eleitores.

A turbulência nos mercados continuou na terça-feira, com as ações caindo pelo segundo dia consecutivo, num sinal de que o pacote de socorro de 700 bilhões de dólares às instituições dos EUA não aliviaram as preocupações do mercado com a economia.

Questionados sobre prováveis candidatos a comandar o Tesouro sob seu governo, ambos mencionaram o legendário investidor Warren Buffet, que apóia Obama.

O debate mostrou muito pouco dos ataques e da agressividade que deram o tom da campanha na última semana. Mas ambos os candidatos entraram em um confronto mais agudo no terço final do debate, quando o tema foi a política externa, especialmente na questão da guerra do Iraque. Obama foi desde sempre um crítico da guerra, enquanto McCain a apoiou desde o princípio, além de defender o aumento das tropas dos EUA ali.

"O senador Obama teria trazido nossas tropas de volta derrotadas. Eu as trarei com vitória e honra", disse McCain.

Obama disse que o foco no Iraque acabou tirando o foco dos Estados Unidos da ameaça no Afeganistão. E demonstrou, sob ataque de McCain, a disposição de atacar terroristas no Paquistão, sem o consentimento de Islamabad.

"Nós temos diferenças fundamentais sobre o uso de nosso poderio militar", disse McCain.

As pesquisas mostraram Obama como o vencedor do primeiro debate, há duas semanas. O desta terça-feira foi conduzido em uma ampla sala em forma de arena, com perguntas do auditório, formato favorito de McCain.

Faltam apenas quatro semanas para a eleição, e os dois candidatos se encontrarão em um debate final no dia 15 de outubro.

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