Economia da China desacelera pelo terceiro trimestre consecutivo

Pequim - A economia da China cresceu 9% no terceiro trimestre, desacelerando de uma expansão de 10,1% observada nos três meses anteriores. A desaceleração da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) ocorre apesar de a China ter registrado saldo positivo recorde na balança comercial em agosto e setembro e vir apresentando níveis consistentes no aumento de investimentos e do consumo doméstico no país.

BBC Brasil |

Na média, o crescimento do PIB da China entre janeiro e setembro deste ano está em 9,9%, com um primeiro semestre de expansão de 10,4%, informou nesta segunda-feira o Departamento Nacional de Estatísticas do país em um comunicado oficial.

O porta-voz do governo Li Xiaochao afirmou que a desaceleração é muito maior do que a esperada pelo governo e disse que a "incerteza e volatilidade" dos mercados internacionais contribuíram para esse resultado.

Retrocesso

No entanto, analistas ressaltam que apesar de ser um retrocesso frente à expansão de quase 12% observada no ano passado, o crescimento atual é tido como excelente em meio à crise nos mercados e a situação observada no Ocidente.

"É um retrocesso, mas eu posso viver com um crescimento de 9%. Isso ainda é um excelente resultado se comparado com a recessão que vemos em outras economias", disse à BBC Brasil Andrew Freris, estrategista sênior de investimentos para a Ásia do banco BNP Paribas em Hong Kong.

Analistas acreditam que os resultados verdadeiramente sombrios causados pela crise nos mercados deverão aparecer nas estatísticas mais adiante, somente a partir do primeiro trimestre de 2009.

Empresas do delta do Rio das Pérolas, região do sul que concentra grande atividade industrial, já começaram a fechar as portas. Na semana passada, uma fabricante de brinquedos encerrou atividades em duas fábricas, demitindo mais de 6.500 trabalhadores.

Um estudo da Federação de Indústrias de Hong Kong divulgado neste fim de semana estima que outros 2,5 milhões de trabalhadores ficarão sem emprego na região nos próximos três meses devido ao fechamento de pequenas e médias empresas dependentes de exportações.

Setembro registrou a produção industrial mais baixa dos últimos seis anos, e a economia da China vem apresentando desaceleração há mais de três trimestres consecutivos.

Pacote de estímulo

Preocupado com a perspectiva de um forte baque econômico, o governo afirmou estar trabalhando para preservar o crescimento e controlar a inflação.

Economistas aguardam o anúncio de um pacote de estímulo que deverá incluir cortes em impostos e mais investimento em infra-estrutura. Flexibilização de crédito para o mercado imobiliário também poderá integrar o conjunto de medidas.

O banco central já cortou por duas vezes a taxa de juros, e estima-se que até o fim do ano seja anunciado mais um corte.

Além disso, uma nova política agrária que permite troca e negociação de terrenos arrendados pelo governo para facilitar a produtividade no campo e trazer mais riqueza aos agricultores também foi anunciada na semana passada.

Investimento e consumo

Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, o governo deve seguir estimulando investimento e consumo doméstico.

"Sim, estamos vendo uma rotação da demanda para o lado interno. A composição do PIB mostra que há aumento consistente no consumo doméstico nos últimos anos", disse Grace Ng, economista do banco JP Morgan.

"É bastante encorajador que mais de 8% do crescimento de 9,9% observado desde o começo do ano tenha como motor o investimento e o consumo doméstico", avalia Glenn Maguire, Economista Chefe para a região Ásia-Pacífico do banco Societé Generale.

Freris afirmou que está otimista com o resultado, porque ele mostra que a economia chinesa poderá, a longo prazo, enfrentar o período de incerteza que se aproxima com a queda no consumo norte-americano.

"Mesmo que haja uma redução extrema das exportações, a China não depende mais disso para realizar um crescimento consistente, o que já é excelente", avalia Freris.

"Ainda que exista um cenário de colapso global, a China é capaz de crescer puramente com seu consumo interno", ressaltou Maguire.

Inflação

A inflação, que é medida pelo índice de preços ao consumidor, também mostrou retração, ficando na casa dos 4,6% em setembro, um recuo frente aos 4,9% observados em agosto.

Esse já é o quinto trimestre seguido em que os preços ao consumidor retrocedem. A redução na inflação foi o objetivo central da política econômica chinesa desde o começo do ano, mas com a perspectiva de desaceleração no PIB, o governo passa a ter novas prioridades.

De acordo com o porta-voz Li Xiaochao, apesar de tudo, os fundamentos da economia da China estão essencialmente bons porque o crescimento ainda é estável e acelerado, os preços ao consumidor seguem caindo e a estrutura industrial está se adaptando a uma nova dinâmica.

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