Economia cubana pode desmoronar em 2 anos, segundo dados do WikiLeaks

Conselheiros comerciais de Brasil, Canadá, China, Espanha, França, Itália e Japão criticam intervenção militar na economia

EFE |

A situação econômica em Cuba poderia se tornar insustentável no curso de dois ou três anos, segundo dados revelados pelo portal WikiLeaks, que cita os conselheiros comerciais de vários países, entre eles Espanha, França, Itália e China, em comunicação com a diplomacia americana.

AP
Motocicleta é vista estacionada perto de muro pintado com bandeira cubana e imagem do líder revolucionário Che Guevara em Havana, Cuba (03/11/2010)
Segundo os telegramas revelados nesta sexta-feira pelo jornal espanhol "El País" e fornecidos pelo WikiLeaks, a crise financeira global e a impossibilidade de atender à sua enorme dívida externa levará a situação econômica cubana até limites que podem ser "fatais em dois ou três anos".

O WikiLeaks cita como fontes desta e de outras informações relativas à difícil situação da ilha caribenha representantes da França e Japão, que são credores de Cuba, e os conselheiros comerciais da China, Espanha, Itália, Canadá, Brasil.

Segundo os documentos citados pelo "El País", a Itália avalia que "Cuba poderia ser insolvente em 2011", enquanto o conselheiro chinês afirma que a rigidez econômica cubana é "uma dor de cabeça".

Os conselheiros explicam que Cuba poderia se ver obrigada a realizar reformas similares às efetuadas em uma situação quase de emergência do começo dos anos 90, quando a Revolução Cubana (1959) "quase quebrou".

As avaliações contradizem a situação financeira "oficial", que vê como esperançosas as reformas previstas pelo regime castrista, incluindo a progressiva "descentralização" da gestão empresarial.

No entanto, os papéis vazados da diplomacia americana pelo WikiLeaks abordam também a crescente e negativa intervenção das Forças Armadas cubanas na economia em prejuízo da influência das empresas estatais.

"A economia cubana é progressivamente manuseada por engenheiros militares que são capazes de levar o dia a dia dos negócios, mas não têm a visão de promover reformas que tirem o país da desordem econômica e da economia centralizada", indica Jonathan Farrar, chefe do Escritório de Interesses dos Estados Unidos, em um dos documentos vazados.

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