Economia, campanha e encanador dominam melhor debate entre McCain e Obama

Hempstead (EUA), 15 out (EFE).- Com divergências em relação à melhor forma de solucionar a atual crise econômica, acusações sobre o tom pesado da campanha e menções a um encanador, os candidatos à Casa Branca, o republicano John McCain e o democrata Barack Obama, protagonizaram hoje o melhor e mais dinâmico dos três debates programados com vistas às eleições de 4 de novembro.

EFE |

Pela primeira vez, os dois oponentes interagiram, se olharam com freqüência e, durante uma hora e meia, mantiveram algo parecido com uma conversa acalorada.

Para isso, contribuiu muito o formato do confronto, travado na Universidade de Hofstra, nos arredores de Nova York. Em vez de se locomoverem sobre um cenário ou de se esconderem atrás de uma tribuna, Obama e McCain se sentaram em torno de uma mesa, o que facilitou a troca de opiniões e, em vários momentos, ajudou a esquentar a troca de idéias.

Uma das vezes em que a temperatura no debate se elevou foi quando ambos se acusaram de promover campanhas negativas um contra o outro e reclamaram do comportamento de seus eleitores nos comícios e demais atos de campanha.

"100% de suas propagandas foram negativas, John", acusou Obama nesse ponto do embate.

"Isso não é verdade", respondeu McCain, que, atrás nas pesquisas, se manteve na ofensiva e, em alguns momentos, demonstrou certo descontrole e deixou de falar especificamente das questões consideradas de maior relevância pelo eleitorado.

O debate também teve um protagonista inesperado: Joe Wurzelbacher, conhecido como "Joe, o encanador".

Este eleitor, que Obama conheceu em Ohio, acabou sendo várias vezes citado por ambos os candidatos, que o mencionavam sempre que precisavam ilustrar seus planos para salvar a economia e de redução dos impostos.

Ao discutirem esse último ponto, o democrata disse que vai diminuir os tributos pagos pela classe média, mas os das pequenas empresas.

"Não vou permitir um aumento nos impostos das pequenas empresas", disse McCain, que destacou que são os negócios de porte menor que mais contribuem para a riqueza e a criação de empregos no país, razão pela qual precisam ser favorecidos pelas políticas do novo presidente.

"Joe, quando for presidente, farei com que possa comprar essa empresa que deseja. Manterei seus impostos baixos e seus empregados poderão ter um bom seguro médico", prometeu o republicano, olhando para a câmera.

O candidato democrata, por sua vez, frisou que seu objetivo é diminuir os impostos que sobrecarregam a classe média, embora isso deixe de fora as empresas.

"Ninguém gosta de impostos, mas temos que cobrir os investimentos básicos", disse Obama, que prontamente foi respondido por McCain: "Se ninguém gosta de impostos, não devemos elevá-los para ninguém, certo?".

De modo geral, o confronto girou em torno da atual situação econômica do país. Ambos os candidatos se esforçaram para mostrar uma imagem de presidenciável e até trocaram palavras gentis a respeito de seus respectivos companheiros de chapa.

Sarah Palin, a candidata republicana à Vice-Presidência, é, por exemplo, uma "política capaz", segundo palavras de Obama.

O democrata, na frente nas pesquisas, entrou no debate empenhado em manter a imagem de líder impassível e sólido projetada nos dois confrontos anteriores.

Já McCain, que precisa de uma reviravolta para ter chances de chegar à Casa Branca, respondeu às perguntas com mais dinamismo que antes. Além disso, talvez tenha sido dele a melhor resposta do debate.

Diante das críticas de seu oponente, que o associava insistentemente ao presidente George W. Bush, o republicano rebateu: "Senador Obama, eu não sou o presidente Bush. Se gostaria de concorrer com ele, deveria ter feito isso quatro atrás".

O confronto também abordou outros temas além da economia, como o sistema de saúde, a diversificação da matriz energética e o livre-comércio, entre outros.

Em um dado momento, McCain acusou seu adversário de não favorecer o livre-comércio, ao se opor, como o resto dos legisladores democratas, à assinatura do tratado de livre-comércio fechado com a Colômbia.

Obama explicou que, de modo geral, é contra os acordos bilaterais porque estes não protegem os trabalhadores. Além disso, lembrou que, sim, votou a favor do TLC com o Peru.

"Precisamos de um presidente que entenda o livre-comércio, mas também que se pronuncie sobre o que é injusto", afirmou. EFE mv/sc

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