Ecologista pula de jet ski para embarcar em baleeiro japonês

Adelaide -- Um ativista contra a caça de baleias pulou de um jet ski em alta velocidade e embarcou num baleeiro japonês em pleno oceano na Antártida na segunda (14), para prender os supostos responsáveis pela destruição de seu barco no mês passado. A ousadia foi responsabilidade da grupo ambientalista americano Sea Shepherd.

AP |

O Instituto de Pesquisa Cetácea, do Japão, responsável pelo baleeiro, confirmou a presença do ecologista Paul Bethune no barco. Em declaração, o instituto classificou o embarque como ilegal e que seria uma manobra para chamar a atenção da mídia.

Bethune planejava entregar uma conta de 3 milhões de dólares, o custo da substituição do Ady Gil, um barco do Sea Shepherd que ele capitaneava e que foi destruído numa colisão entre as duas embarcações no mês passado. Ele também queria responsabilizar criminalmente o capitão do Shonan Maru 2 pela destruição do Ady Gil e pela tentativa de assassinato de seis tripulantes do navio.

Paul Bethune do Sea Shepherd (AFP)

O fundador do Sea Shepherd Paul Watson disse que Bethune vai exigir a rendição do capitão japonês ou levar o baleeiro para o porto mais próximo na Austrália ou Nova Zelândia e entregá-lo às autoridades.

Manobra perigosa
Watson disse que Bethune deixou outro barco do Sea Shepherd, o Steve Irwin, às seis da manhã em um jet ski, para se aproximar do navio japonês, que se movia a 14 nós (cerca de 26 km/h). O piloto do jet ski manobrou o veículo até chegar perto do casco, e Bethune conseguiu pular para dentro do Shonan Maru 2.

O Instituto de Pesquisa Cetácea afirmou em declaração que o baleeiro não tem condições de levar Bethune de volta ao seu navio. O que ele (Bethune) fez é um ato ilegal, perante as leis marítimas, disse o porta-voz do instituto, Glenn  Inwood. Na pior das hipóteses, ele será levado ao Japão.

No entanto, Donald Rothwell, professor de Legislação Internacional e Marítima da Universidade Nacional Australiana, disse que ação de Paul Bethune não foi ilegal, a não ser que ele esteja planejando machucar a tripulação ou prejudicar a segurança do Shonan Maru 2.

Tetsuro Fukuyama, secretário de estado para assuntos internacionais do Japão, disse que o incidente todo era lamentável. Nós ainda não esclarecemos as intenções do ativista, disse. Quando confirmarmos o fato e a nacionalidade do navio ao qual ele pertence, vamos fazer nosso protesto e exigir que tomem as medidas cabíveis.

O Japão tem uma frota de seis navios baleeiros na Antártida como parte de seu programa de pesquisa científica, uma exceção legal à moratória de caça comercial de baleias instituída em 1986. A frota caça centenas de baleias, em sua maioria minke, que não é uma espécie ameaçada de extinção. A carne de baleia que não é usada para pesquisa é vendida para consumidores japoneses, o que, segundo os críticos, seria a verdadeira motivação da suposta pesquisa científica.

Embates diretos
O Sea Shepherd manda navios para confrontar os baleeiros japoneses todos os anos, tentando bloquear os arpões e soltando cordas na água para obstruir os motores das embarcações. Os baleeiros respondem de acordo: atirando canões  aquáticos e instalando dispositivos sonares que desorientam os equipamentos dos ativistas. Alguns embates mais diretos acontecem ocasionalmente, como o choque em 6 de janeiro entre o Andy Gil do Sea Shepherd e o Shona Maru, que causou o naufrágio do primeiro. Ambas tripulações tiveram apenas ferimentos leves.

Os governos da Austrália e da Nova Zelândia, que são responsáveis pelo resgate marítimo na área onde a caça às baleias normalmente acontece, repetidas vezes já pediram a ambas as partes que aliviassem as agressões mútuas.

Na segunda-feira (14), o primeiro-ministro neozelandês John Key chamou os últimos acontecimentos de verdadeiramente perigosos. Estes grupos estão operando na Antártida, um mar gelado que leva à morte quem ficar submerso por mais de 12 minutos. Não acho que este tipo de comportamento seja extremamente sensato, disse.

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