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E se Obama fosse muçulmano?

A parte mais interessante da entrevista concedida pelo general e ex-secretário de Estado americano Colin Powell ao programa Meet the Press, da rede de TV NBC, na qual ele declarou seu apoio a Barack Obama, acabou sendo negligenciada por boa parte da mídia americana. Da entrevista, os jornais e emissoras destacaram o fato de que o general julga a governadora Sarah Palin inapta a assumir a Presidência dos Estados Unidos, que a escolha dela caracterizou um erro de avaliação do titular da chapa republicana, John McCain, e que o republicano se mostrou mais reticente que o democrata em relação à crise econômica.

BBC Brasil |

Mas na segunda metade da entrevista, Powell alertou para um sentimento de intolerância e de exploração das tensões raciais que ele vem identificando dentro da própria agremiação à qual ele pertence, o Partido Republicano.

Powell se disse ''perturbado'' por coisas que muitos dentro do partido vêm dizendo. ''É permitido dizer coisas como 'bem, você sabe que o sr. Obama é muçulmano'. A resposta correta é que ele não é muçulmano. É cristão. Ele sempre foi cristão.''
''Mas a resposta realmente certa é: E se ele for muçulmano? Há algo errado em ser um muçulmano neste país? A resposta é não, isso não é a América. Há algo errado em um garoto de sete anos muçulmano-americano acreditar que ele ou ela poderão um dia ser presidente?''
Para realçar ainda mais o seu argumento, Powell ilustrou com um relato de um soldado de 20 anos morto no Iraque, de nome Kareem Rashad Sultan Khan, um americano de Nova Jersey e muçulmano.

Os rumores infundados sobre a fé do candidato democrata vinham sempre acompanhados de uma correção que dava a impressão de que chamá-lo de muçulmano seria o mesmo que dizer algo como ''ele tem antecedentes criminais''.

O temor de ser associado ao islamismo era tão grande que até mesmo a própria campanha de Obama enveredou pelo caminho da irracionalidade, ao retirar duas correligionárias do senador muçulmanas que trajavam véus e que estavam posicionadas logo atrás do candidato, durante um comício, devido ao temor de que elas poderiam ser flagradas pelas câmeras de TVs.

Barack Hussein Obama hoje lidera, com folga, a disputa presidencial americana.

Se o filho de um queniano negro e de origem muçulmana e de uma americana branca e agnóstica chegar à Casa Branca não haverá porque tentar ocultar seu nome completo ou sua origem.

Mas se os Estados Unidos optarem pelo caminho do obscurantismo e da ocultação, o país vai estar provando que a intolerância, que parecia um artigo do passado, ainda não é uma página virada na história americana.

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