É preciso acelerar a reconstrução do Haiti, diz ONU

Primeiro ministro do país atingido por catástrofe lamenta falta de integração com outros países e abandono da classe média

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

Quase seis meses após o terremoto que destruiu o Haiti, autoridades e representantes de organismos multilaterais demonstraram neste sábado preocupação com o destino do país durante o Terceiro Fórum da Aliança de Civilizações das Nações Unidas, no Rio. O chefe da Missão de Paz da ONU no país, Edmund Mulet, afirmou que é preciso acelerar os esforços de reconstrução da nação.

Para reeguer sua infraestrutura, os haitianos receberam US$ 5 bilhões em doações do mundo inteiro, lembrou o representante da organização.

O primeiro ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, porém, reclamou da dificuldade do país em integrar-se com outros países, por causa da sua diversidade cultural e, principalmente, religiosa. Ele disse que praticamente toda a população haitiana pratica o voduísmo.

Outra dificuldade relatada pelo governante é a ausência absoluta de uma classe média no País. "O Haiti hoje é formado por uma pequena elite estrangeira e uma enorme população de pessoas pobres. A classe média abandonou o país", acrescentou.

AFP
População do Haiti ainda aguarda a retirada de entulhos, seis meses após terremoto

"Porém, em algum momento, estes encontros perdidos possam permitir colocar o Haiti na rota do desenvolvimento. Hoje os desafios são os mesmos, mas as esperanças são diferentes", disse Bellerive durante a palestra.

Cerca de 1,6 milhão de desabrigados ainda vivem sob tendas porque perderam suas casas durante a catástrofe que matou mais de 260 mil pessoas. O representante especial no Haiti do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Ricardo Seitenfus, contou que os haitianos aguardam ainda a retirada de 14 milhões de toneladas de entulhos, num enorme rastro do terremoto de 12 de janeiro.

"Ao longo de 200 anos de solidão do Haiti nas Américas, foi imposto ao povo anarquia ou ditadura. Falar de um balanço de cooperação nos últimos 30 anos ainda seria cinza", afirmou Seitenfus.
Os três palestrantes elogiaram a postura da população diante da tragédia. "Não houve desordem, a população se mostrou madura e muito solidária", relatou o primeiro ministro do Haiti.

    Leia tudo sobre: HaitiONUterremotoOEA

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG