Em discurso sobre fim de operações de combate das forças americanas, Obama disse que principal missão é restaurar economia dos EUA

No esperado discurso que marca oficialmente o fim da missão de combate das forças americanas no Iraque, o presidente americano, Barack Obama, disse na noite desta terça-feira que é hora de virar a página da história da guerra de mais de sete anos e olhar para frente.

"Nós persistimos por causa de uma crença que dividimos com o povo iraquiano – uma crença de que, além das cinzas da guerra, um novo começo poderia nascer neste berço de civilização. Por este capítulo memorável na história dos Estados Unidos e do Iraque, reunimos nossa responsabilidade. Agora é hora de virar a página", declarou.

Obama ressaltou ainda que acabar com o confronto - iniciado por seu antecessor George W. Bush, em 2003, quando incluiu o Iraque no "Eixo do mal" -  não era de interesse apenas dos iraquianos mais também dos próprios americanos.

"Os Estados Unidos pagaram um preço alto para colocar o futuro do Iraque nas mãos de seu povo. Nós enviamos nossos homens e mulheres jovens para fazer sacrifícios enormes no Iraque, e gastamos vastos recursos externamente, em uma época de orçamento apertado dentro de casa". Na guerra, os EUA gastaram quase US$ 1 trilhão, além de mais de 4,4 mil soldados americanos e ao menos 100 mil civis terem morrido desde 2003.

Obama no discurso em que anunciou fim das operações de combate no Iraque
AP
Obama no discurso em que anunciou fim das operações de combate no Iraque
"Em cada etapa, homens e mulheres americanos em uniforme serviram com coragem e determinação. Como comandante-chefe, estou orgulhoso pelo seu serviço. Como todos os americanos, estou maravilhado pelo seu sacrifício, e pelo sacrifício de suas famílias", disse o presidente

Em seu dicurso de cerca de 20 minutos ainda, o presidente americano citou recentes operações que sinalizavam o fim das operações de combate no Iraque e lembrou que dar fim à guerra era uma de suas principais promessas de campanha, antes de ter sido eleito no fim de 2008.

"Anunciei um plano que levaria nossas brigadas de combate para fora do Iraque, enquanto duplicaríamos nossos esforços para dar solidez às Forças de Segurança do Iraque e apoio a seu governo e povo. É isso o que fizemos. Removemos cerca de 100 mil soldados do Iraque. Fechamos e transferimos centenas de bases para os iraquianos. E retiramos milhões de armamentos do Iraque", lembrou.

"Esta noite, anuncio que a missão de combate americana no Iraque acabou. A Operação Liberdade Iraquiana está terminada, e os iraquianos agora têm responsabilidade por sua segurança e pela segurança de seu país. Essa foi minha promessa ao povo americano como candidato a este posto”, enfatizou.

Ao lembrar que conversara com o ex-presidente George W. Bush, horas antes do pronunciamento, Obama evitou tecer duras críticas ao governo antecessor, mas lembrou de seus diferentes pontos de vista sobre a necessidade da invasão americana ao país do Oriente Médio.

“É bem sabido que ele e eu discordamos sobre o início da guerra. Apesar disso, ninguém poderia duvidar do apoio do presidente Bush a nossas tropas, ou do amor dele pelo país e seu comprometimento com nossa segurança. Como eu disse, houve patriotas que apoiaram esta guerra e patriotas que se opuseram a ela", concluiu.

No pronunciamento feito no Salão Oval da Casa Branca reformado, o presidente americano também disse que os Estados Unidos estão aptos a aplicar mais recursos no Afeganistão devido à mudança no Iraque, e que o ritmo da retirada norte-americana naquele país dependerá das condições em terra, mas começará na data prevista, em julho de 2011.

"Como no Iraque, não podemos fazer pelo Afeganistão o que os afegãos têm de fazer por si mesmos", disse.

Contexto doméstico

Ao contextualizar o fim das operações no Iraque, Obama falou sobre a tarefa de colocar a economia americana nos eixos novamente e acabar com o desemprego. "Nesse momento, devemos combater os problemas internos como nossos homens e mulheres em uniforme fizeram na guerra", comparou.

"Hoje nossa tarefa mais urgente é restabelecer nossa economia e colocar os milhões de americanos que perderam seus empregos de volta ao trabalho. Para fortalecer nossa classe media, temos de dar a todas as crianças a educação que merecem, e a todos os trabalhadores as habilidades que necessitam para competir em uma economia global (...) Isso será difícil. Mas nos dias que estão por vir, deve ser nossa missão central enquanto povo, e minha responsabilidade central enquanto presidente”, alertou Obama.

A partir de quarta-feira, 1º de setembro, tem início a Operação Novo Amanhecer, período de transição que tem como objetivo estabilizar o país. Para a operação, ainda permanecem no Iraque cerca de 50 mil soldados americanos.

*Com Reuters

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