É hora de se voltar para dentro de casa, diz Obama sobre retirada do Afeganistão

Ao anunciar retirada de 33 mil soldados, líder americano lembrou década difícil para os EUA, em que foi gasto cerca de US$ 1 trilhão

iG São Paulo | 22/06/2011 21:31 - Atualizada em 23/06/2011 15:26

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Com um discurso voltado para o público dentro de casa e de olho nas eleições de 2012, o presidente americano, Barack Obama, anunciou na noite desta quarta-feira a retirada de 33 mil soldados do Afeganistão até setembro de 2012, quando termina o verão no Hemisfério Norte. 

"É hora de focarmos na construção da nação aqui mesmo, dentro de casa", disse em pronunciamento em rede nacional. "Precisamos construir nossa infraestrutura. (...). Precisamos nos voltar aos própositos econômicos", afirmou depois de lembrar a década difícil para os Estados Unidos, em que foi gasto cerca de US$ 1 trilhão na guerra ao terror.

Foto: AP

Retirada de soldados anunciada por Obama reflete pressão política e econômica que vem sofrendo


Em meio a um déficit recorde no orçamento e à crescente perda de apoio popular à presença militar no país do sul da Ásia, Obama declarou que os EUA alcançaram seus principais objetivos no Afeganistão e que a retirada dos soldados é o começo e não o fim dos esforços para dar fim ao conflito.

"É o início, mas não o fim, de nossos esforços para terminar essa guerra. Vamos ter a pesada tarefa de não perder o que ganhamos, enquanto retiramos nossas forças e passamos a segurança ao governo afegão", afirmou. "Não tentaremos fazer do Afeganistão um lugar perfeito. Não vamos patrulhar suas ruas ou montanhas indefinitivamente. Isto é responsabilidade do governo afegão".

No plano, detalhado em um pronunciamento na Casa Branca transmitido ao vivo pela TV, serão retirados 10 mil soldados até o fim deste ano, enquanto os outros 23 mil devem retornar aos EUA até o fim do próximo ano, correspondendo às forças extras cujo envio ele ordenou ao Afeganistão no fim de 2009 para melhorar o esforço de guerra no país.

Apesar disso, Obama deixará em território afegão cerca de 70 mil soldados. Os EUA e os aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) esperam colocar fim à missão de combate e transferir totalmente o controle às forças afegãs até o fim de 2014, um período de transição que finalmente pode acabar com o conflito.

Ao falar sobre a morte de Osama bin Laden por forças americanas, em 2 de maio, no Paquistão, Obama disse que "a Al-qaeda está mais sob pressão do que nunca desde o 11 Setembro”. Segundo ele, os documentos recuperados na operação que matou Osama bin Laden mostaram que a Al-Qaeda "sofre enormemente" e é "incapaz de substituir de modo eficaz" seus altos dirigentes eliminados. "As informações de inteligência que recuperamos na casa de Bin Laden mostram que a Al-Qaeda sofre enormemente" e que o líder terrorista "estava preocupado com a incapacidade da rede em substituir seus chefes mortos e em apresentar os EUA como um país em guerra contra o islã".

O presidente americano disse ainda que, apesar do revés, a Al-Qaeda continua sendo "perigosa" e é preciso estar "vigilante". "Já colocamos a Al-Qaeda no caminho da derrota e não vamos parar até que o  trabalho esteja concluído", alertou.

Pressão

De acordo com o jornal americano The New York Times, a redução das tropas é maior e mais rápida que o recomendado pelos comandantes militares americanos, e reflete pressões políticas e econômicas que Obama vem sofrendo dentro de casa.

A decisão de Obama é também uma vitória para o vice-presidente Joe Biden, que é favorável à redução da missão militar dos EUA no Afeganistão. No entanto, mostra-se como uma derrota ao general David Petraeus, chefe da missão americana no Afeganistão, que em breve deixa o comando da missão americana no país do sul da Ásia para ocupar o posto de diretor da agencia de inteligência americana, a CIA. Segundo o New York Times, dois oficiais disseram que Petraeus não apoiou a decisão, apesar de o secretário de Defesa Robert Gates e a secretária de Estado Hillary Clinton terem aceitado-a.

Foto: AP

Soldados carregam caixão de militar morto na Província de Ghazni, no Afeganistão: ao menos 1,5 mil membros do Exército dos EUA morreram no conflito desde 2001

Obama está sob crescente pressão política para reduzir a participação dos EUA no conflito, especialmente pelo fato de que Bin Laden, o homem considerado o motivo da guerra, está morto. As forças dos EUA encontraram e mataram o líder da Al-Qaeda no Paquistão, em um golpe significativo para uma organização.

Pelo menos 1,5 mil membros do Exército americano morreram e 12 mil ficaram feridos desde a invasão dos EUA no Afeganistão, em outubro de 2001. O custo financeiro da guerra passou de US$ 440 bilhões e agora está subindo por causa do pesado comprometimento militar, correspondendo a US$ 120 bilhões por ano, o dobro do total há dois anos. 

Transferência

Os EUA desejam transferir as ações de segurança para forças afegãs de maneira gradual até o fim de 2014. Há, no entanto, grandes divisões dentro do governo americano sobre a rapidez com que os militares devem deixar o Afeganistão.

Alguns comandantes defendem uma redução limitada das forças americanas no país, como modo de evitar um possível retrocesso no combate ao Taleban. A opinião pública, porém, vem demonstrando crescente rejeição à presença militar americana no Afeganistão, sentimento que aumentou ainda mais com a morte de Bin Laden.

A pressão é agravada pela lenta recuperação econômica dos EUA, que enfrentam deficit recorde de US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 2,2 trilhões) no orçamento, o risco de ultrapassar o limite da dívida pública, que já atingiu o teto de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,7 trilhões), e a necessidade de cortar gastos.

Iniciadas há quase 10 anos, após os atentados de 11 de Setembro de 2001, as operações no Afeganistão custam atualmente mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 3,1 bilhões) por semana aos cofres americanos, o que tem despertado cada vez mais críticas, tanto de republicanos quanto de democratas.

A decisão de começar a retirada em julho se refere a uma promessa mantida por Obama. Apesar disso, o tamanho e o ritmo da retirada foram amplamente debatidos. O Exército fez lobby para uma redução mais modesta, mas Obama prometeu uma significativa à medida que o apoio à guerra esvaiu no país e no Congresso.

*Com AP e BBC

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