Dúvidas sobre papel do Paquistão em operação refletem relação conturbada com EUA

Alto funcionário do governo Obama sugere exclusão de oficiais paquistaneses, enquanto embaixador paquistanês fala em operação conjunta

iG São Paulo |

Algumas autoridades americanas creditaram, nesta segunda-feira, ao Paquistão a ajuda dada às forças americanas pela operação que levou à morte de Osama Bin Laden, em meio a especulações de que oficiais paquistaneses tinham informações privilegiadas sobre o esconderijo do líder da Al-Qaeda.

As mensagens conflituosas refletem as frustrações que marcam os laços entre Washington e Islamabad. As relações entre os dois países não estão em seu melhor momento. Enquanto os EUA precisam da cooperação do Paquistão para lutar contra o extremismo islâmico, oficiais americanos sentem que não podem confiar totalmente no aliado e na espionagem paquistanesa , acusada de apoiar insurgentes.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que o Paquistão ajudou, ao longo dos últimos anos, os esforços dos EUA para desmantelar a Al-Qaeda. Ainda assim, questões sobre se oficiais paquistaneses possuíam mais informações sobre o paradeiro de Bin Laden ainda persistem. 

Autoridades, no entanto, tentaram nesta segunda-feira amenizar rumores de atritos entre a agência de inteligência americana (CIA) e o serviço de inteligência paquistanês (ISI) ao dizer que a operação foi realizada conjuntamente pelo Paquistão e os EUA. "Sem nosso envolvimento, esta operação não teria tido sucesso", disse uma fonte governamental paquistanesa. "Seria possível sem a nossa ajuda? Não", disse outra fonte. "Foi uma operação conjunta de inteligência."

O governo do Paquistão, no entanto, reluta em detalhar o seu envolvimento na invasão da mansão onde Bin Laden se refugiava, na localidade de Abbottabad, ao norte de Islamabad, onde ficam um importante quartel e a sede da Academia Militar Paquistanesa.

O fato de Bin Laden ter sido morto no coração do Paquistão - e não em remotas áreas tribais do país - gerou questionamentos nos EUA sobre a cooperação paquistanesa na caçada ao líder da rede Al-Qaeda.

Um alto funcionário do governo norte-americano, citado no site da Casa Branca, sugeriu em conversa com jornalistas que o Paquistão havia sido excluído da operação. "Não partilhamos nossa informação sobre as instalações de Bin Laden com nenhum outro país, inclusive o Paquistão. Isso ocorreu por apenas uma razão: acreditávamos que era essencial para a segurança da operação e do nosso pessoal."

Já o alto-comissário (embaixador) do Paquistão na Grã-Bretanha, Wajid Shamsul Hasan, garantiu se tratar de "uma operação conjunta, feita com colaboração secreta, realizada profissionalmente e com uma conclusão satisfatória".

*Com Reuters e AP

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