Duplo atentado em metrô leva terror a Moscou

Ignacio Ortega. Moscou, 29 mar (EFE).- Os terroristas do Cáucaso desferiram hoje um novo golpe contra a Rússia ao matarem pelo menos 37 pessoas e ferirem cerca de 70 em um duplo atentado no metrô de Moscou.

EFE |

"Segundo dados preliminares, os atentados foram cometidos por grupos terroristas que têm relação com o Cáucaso Norte. Esta é a principal versão", afirmou Aleksandr Bortnikov, chefe do Serviço Federal de Segurança (FSB).

Ao informar o presidente russo, Dmitri Medvedev, o chefe do serviço secreto disse que, "no local das explosões, foram encontradas partes dos corpos de duas mulheres suicidas".

Mulheres que participam de atos desse tipo ficaram conhecidas na região como "viúvas negras", já que vestem roupas pretas e costumam ser esposas de guerrilheiros islâmicos mortos pelo antigo KGB.

Os atentados desta segunda-feira, nos quais foi utilizado ciclonita, uma das substâncias preferidas dos separatistas chechenos, ocorreram numa das horas de maior movimentação do metrô de Moscou.

A primeira explosão aconteceu por volta das 8h (1h de Brasília), na estação de metrô Lubyanka, que fica em frente à sede do FSB, o principal órgão de segurança envolvido na luta antiterrorista.

A câmera de segurança do trem Krasnaya Strela (Estrela Vermelha) gravou as imagens da forte explosão, equivalente à de quatro quilos de TNT e que causou a morte de 20 a 25 passageiros.

Passados 45 minutos, aconteceu a segunda explosão (dois quilos de TNT), na estação Park Kultury, a cerca de 300 metros das redações de vários veículos de comunicação nacionais e estrangeiros, inclusive da Efe.

Segundo dados preliminares, essa explosão matou de 12 a 14 pessoas e deixou um número indeterminado de feridos.

"Temos oito pessoas em estado muito grave, outros 25 em estado grave e 32 pessoas levemente feridas", afirmou Tatiana Golikova, ministra da Saúde.

Ambas as estações serviam à linha vermelha, a mais antiga (1935) e uma das mais movimentadas de todo o metrô, que é utilizado diariamente por 9 milhões de pessoas.

"As explosões ocorreram quando os vagões estavam nas estações com as portas abertas. Morreram alguns passageiros no vagão e outros na plataforma", disse uma porta-voz do Ministério de Emergências à TV russa.

O fato de as portas estarem abertas diminuiu a força das explosões e salvou muitas vidas, segundo um especialista. Além disso, muitas pessoas se atrasaram para o trabalho hoje por terem esquecido de ajustar o relógio para o horário de verão.

Imagens captadas por telefones celulares mostraram os corredores das estações Lubyanka e Park Kultury cobertas por muita fumaça e vários passageiros aturdidos e deitados no chão tentando ligar de seus aparelhos.

Após as explosões, os acessos à linha vermelha do metrô foram fechados em ambas as estações, o que gerou caos e pânico entre os passageiros.

Após ser informado dos atentados, Medvedev declarou guerra ao terrorismo e classificou como "insuficientes" as medidas adotadas até agora pelas forças de segurança para acabar com a guerrilha islâmica.

O líder russo se mostrou convencido de que os terroristas queriam desestabilizar o país e a sociedade.

Por sua vez, o primeiro-ministro Vladimir Putin suspendeu sua visita à Sibéria para retornar com urgência à capital russa e afirmou que "os terroristas serão liquidados".

As forças de segurança russas buscam agora outras duas mulheres que foram filmadas acompanhando as terroristas suicidas até a entrada do metrô.

Cerca de mil de soldados foram mobilizadas para patrulhar todas as estações, ao passo que outras cidades, como São Petersburgo, reforçaram as medidas de segurança para evitar possíveis atentados.

O último atentado de similar magnitude perpetrado pela guerrilha separatista chechena contra o metrô de Moscou aconteceu em fevereiro de 2004, quando 41 pessoas morreram e 250 ficaram feridas.

O ato terrorista mais grave cometido na Rússia por mulheres suicidas foi em agosto de 2004, às vésperas do massacre de Beslan, quando dois aviões de passageiros explodiram no ar matando cerca de cem pessoas. EFE io/sc

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