Duplo atentado deixa 20 mortos em Karachi, no Paquistão

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 5 fev (EFE).- Vinte pessoas morreram hoje na cidade de Karachi, no sul do Paquistão, em atentados contra um ônibus de peregrinos xiitas e contra o hospital que recebeu os feridos da primeira ação terrorista.

O primeiro ataque aconteceu por volta das 15h (8h de Brasília), quando um suicida se lançou contra o coletivo em uma motocicleta com explosivos, informou à Agência Efe uma fonte policial de Karachi.

A ação, registrada em uma ponte de uma avenida central da cidade portuária, conhecida como bulevar Faiçal, causou a morte de 14 pessoas e deixou 46 feridas, incluindo muitas mulheres e crianças.

A maioria dos feridos foi levada pelas ambulâncias para o hospital de Jinnah, em cujo interior aconteceu a segunda explosão, apenas duas horas depois.

Segundo fontes policiais citadas por diversos meios de imprensa paquistanesas, uma carga explosiva escondida em uma motocicleta foi ativada nas imediações da unidade de emergência do centro médico.

Esta detonação matou mais seis pessoas e deixou 20 feridas, de acordo com uma fonte do hospital citada pela agência estatal "APP", embora uma fonte policial tenha dito à rede "Dawn TV" que foram dez os mortos.

O ataque múltiplo poderia ter sido ainda mais mortífero se a Polícia não tivesse desativado a tempo uma terceira bomba instalada em um aparelho de televisão do estacionamento do hospital, segundo informou a rede de televisão privada "Express".

"Pedimos ao Governo para que nos dê maior proteção. Não somos treinados para uma situação de guerra. Ninguém podia imaginar que um hospital viraria alvo dos terroristas", declarou ao canal a médica Simi Simali.

Após os atentados aconteceram alguns protestos e reuniões na própria Karachi ou em outras cidades paquistanesas como Rawalpindi.

O primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gillani, condenou as duas ações, ordenou a abertura de uma investigação e pediu à população que mantenha a calma, segundo um comunicado oficial.

Analistas e fontes de inteligência consultados pela Efe consideram que na metrópole de Karachi, com mais de 14 milhões de habitantes, haja uma forte presença de células da insurgência talibã e de outros grupos jihadistas.

A cidade não costuma ser cenário habitual de atentados terroristas porque, segundo os observadores, os fundamentalistas a utilizam como "lugar de descanso" ou para arrecadar dinheiro através de sequestros, assaltos e canalização do contrabando e narcotráfico que vem do Afeganistão.

No entanto, no final de 2009 outro potente atentado suicida contra uma procissão xiita causou a morte de pelo menos 40 pessoas.

A investigação desta ação terrorista ainda tem várias lacunas, pois depois dela se iniciaram distúrbios nos quais ficaram destruídos quase 3.000 lojas e centenas de pessoas ficaram feridas.

A versão oficial é que o ataque e os distúrbios a cargo da horda de radicais faziam parte de um mesmo plano.

A corrente muçulmana xiita representa em torno de 20% da população na República Islâmica do Paquistão, onde a maioria dos fieis são sunitas.

Quase todos os grupos extremistas paquistaneses são sunitas, como os ortodoxos talibãs, e alguns têm um claro corte sectário antixiita e contra outras minorias religiosas.

À parte destas duas últimas ações terroristas, os episódios de violência com toques étnico-políticos são mais frequentes em Karachi, onde moram pessoas provenientes de todas as províncias do país.

Só no último mês, duas ondas de violência de vários dias de duração tiraram a vida de mais de 80 pessoas.

Segundo relatório recente do Instituto do Paquistão para Estudos de Paz, cerca de 12 mil pessoas morreram em 2009 no país em fatos violentos; deste total, mais de três mil, a maioria civis, por ataques terroristas. EFE igb/ma

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