'Duch', o torturador do Khmer Vermelho, vai apelar da sentença

'Duch' foi condenado a 30 anos de prisão pela tortura e execução de milhares de homens, mulheres e crianças

AFP |

O ex-chefe da prisão de Phnom Penh durante o regime de terror do Khmer Vermelho, Duch, condenado na segunda-feira a 30 anos de prisão por crimes contra a humanidade , vai apelar da sentença, anunciou seu advogado nesta terça-feira.

Aos 67 anos, Duch, cujo verdadeiro nome é Kaing Guek Eav, é o primeiro ex-dirigente khmer vermelho julgado e condenado por um tribunal internacional patrocinado pela ONU. O tribunal, com sede em Phnom Penh, anunciou inicialmente que Duch seria condenado a 35 anos de prisão, antes de reduzir a pena para 30 anos.

Reuters
Kaing Guek Eav no tribunal internacional para o genocídio do Camboja

A pena é inferior à pedida pelo promotor, que em novembro de 2009 reclamou 40 anos de prisão. O ex-torturador, que respondia por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, podia ter sido condenado à prisão perpétua.

Duch foi julgado por ter dirigido a prisão de Tuol Sleng, também conhecida como S-21, um ex-colégio de Phnom Penh, onde 15.000 pessoas foram torturadas entre 1975 e 1979. Os torturados, assim que falavam o que os oficiais queriam ouvir, eram enviados a Choeung Ek, na periferia de Phnom Penh, para serem executados.

Cerca de dois milhões de cambojanos, ou seja, um quarto da população, morreu antes que o Khmer Vermelho perdesse o poder com a invasão vietnamita de janeiro de 1979.

Arrependimento

Duch, ex-professor de matemática, expressou seu arrependimento no ano passado ante os juízes, apesar de ter voltado atrás no último dia do processo. Argumentando que era apenas um funcionário do regime de Pol Pot, considerou que escapava de fato à competência do tribunal e solicitou sua libertação.

Com esta sentença termina o primeiro processo realizado pelo tribunal patrocinado pela ONU, criado em 2003 depois de intermináveis negociações entre o Camboja e a comunidade internacional, e que só começou suas atividades três anos mais tarde.

Vários dirigentes do Khmer Vermelho esperam para ser julgados, entre eles o "irmão número 2" do antigo regime comunista, Nuon Chea, no início de 2011. O "irmão número 1", Pol Pot, faleceu em 1998.

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