Duas casas são incendiadas durante distúrbios na região israelense de Akko

Jerusalém, 11 out (EFE).- Os distúrbios na região israelense de Akko continuaram nesta madrugada, com a queima de duas casas árabes vazias situadas em um bairro majoritariamente judaico, informaram fontes policiais.

EFE |

Após o incidente, quatro jovens foram detidos, e dois deles, menores de idade, foram liberados depois.

Doze pessoas continuam presas em uma delegacia e outras oito em suas casas desde que, na noite de quarta-feira, a cidade do norte de Israel registrou uma explosão de violência entre judeus e árabes, que deixou várias pessoas levemente feridas e dezenas de carros e comércios parcialmente destruídos.

A manhã de hoje está aparentemente tranqüila, embora um site de Akko tenha sido invadido por hackers judeus que deixaram mensagens em hebraico como "morte aos árabes" e "boicote a todas as lojas administradas por árabes".

Dois terços dos moradores da localidade são judeus, enquanto o restante é árabe.

A Polícia mantém em Akko desde ontem cerca de 700 agentes, 500 a mais que o habitual, para vigiar qualquer eventual aumento de violência, disse à Agência Efe o porta-voz policial Micky Rosenfeld.

Os distúrbios começaram durante o feriado do Yom Kippur (Dia do Perdão), no qual todas as atividades são paralisadas e o tráfego é totalmente interrompido, quando um árabe que dirigia seu carro foi abordado por um grupo de jovens judeus que o acusaram de fazer barulho de propósito para perturbar o dia sagrado.

A ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, encarregada de formar novo Governo no país, advertiu ontem, durante uma visita ao local, que não permitirá que ninguém "faça justiça com as próprias mãos", informou a imprensa local.

O prefeito de Akko, Shimon Lankry, adiou a realização do festival de teatro da cidade, um dos mais importantes do país e que estava previsto para a próxima semana, devido aos "sentimentos de ódio e ofensa" que prevalecem entre os moradores.

A Polícia aumentou ontem o número de soldados em outras comunidades com população judaica e árabe, como Jerusalém, com medo de que ocorra uma explosão de violência como em Akko.

A cidade santa está em estado de alerta máximo, com centenas de agentes espalhados pela parte árabe e povoados palestinos vizinhos, em particular na cidade antiga e em torno da Esplanada das Mesquitas.

No entanto, não houve episódios de alvoroço ou de tensão em Jerusalém.

Os árabes com cidadania israelense, como os de Akko, são palestinos que permaneceram dentro das fronteiras do Estado de Israel após a guerra iniciada depois de sua criação, em 1948, além de seus descendentes.

Eles representam quase um quinto da população do país, com 1,2 milhão de pessoas, e, embora sejam cidadãos de pleno direito, na prática, são discriminados de várias maneiras.

A Associação pelos Direitos Civis de Israel denunciou esta semana, em comunicado antes da onda de violência, "um aumento da discriminação e do racismo" sofrido por cidadãos árabes no Estado judeu. EFE ap/fh/an

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