O presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, disse nesta segunda-feira à AFP que poderá renunciar antes de 15 de agosto, quando termina seu mandato, ou entregar o cargo ao vice-presidente, Francisco Oviedo, para que ceda o poder a Fernando Lugo, eleito no domingo.

Esta possibilidade "depende do desenrolar dos acontecimentos, de como ficará a correlação de forças no Senado e dos acordos que possam ocorrer antes de 1º de julho", disse Duarte.

Em 1º de julho devem tomar posse os 45 senadores eleitos, incluindo 17 do Partido Colorado, de Duarte, que controlará o Senado.

Ao renunciar à presidência, Duarte assumirá automaticamente a chefia do Partido Colorado, para a qual foi eleito em 18 de janeiro de 2006, com 63% dos votos.

"Depende de como estará meu humor", disse finalmente com ironia, sobre se apresentará a renúncia no dia da posse dos senadores.

Transferência pacífica

EFE
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Lugo comemora vitória no Paraguai
O ex-bispo Fernando Lugo, que no domingo venceu as eleições presidenciais no Paraguai, confiou hoje em uma transferência pacífica do poder, expressou sua disposição para negociar com outros partidos de modo a garantir a governabilidade e para impulsionar uma reforma constitucional em 2009.

Em uma entrevista à imprensa espanhola, Lugo comentou que uma das primeiras tarefas agora é "confirmar uma equipe" nesta semana ou na próxima para preparar a transferência da presidência, que será realizada em 15 de agosto, quando chegarão ao fim mais de seis décadas do Partido Colorado no poder.

"O presidente da República (Nicanor Duarte) expressou sua vontade de que, pela primeira vez na história política paraguaia, um grupo político ceda o poder a outro sem violência nem derramamento de sangue", lembrou Lugo.

O ex-bispo, que em 23 de maio deve ser reconhecido como presidente eleito pela Justiça Eleitoral, confirmou entre outras tarefas imediatas a consolidação da heterogênea Aliança Patriótica para a Mudança (APC), com a qual venceu o pleito.

"A Aliança venceu as eleições. Não só Fernando Lugo e Federico Franco (seu companheiro de legenda), mas também a coalizão, que é formada por nove partidos políticos e 20 organizações sociais", apontou.

"Tenho uma dívida com esta aliança e dela partirão todos os planejamentos do próximo governo", acrescentou o futuro chefe de Estado, apesar de os analistas considerarem que será difícil conciliar ideologias tão opostas representadas na coalizão.

O principal apoio eleitoral da APC é o tradicional Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA, direita), liderado por Franco, mas grupos de esquerda como o Movimento Popular Tekojoja (MPT) estão mais próximos da postura a favor dos pobres defendida por Lugo.

"Essa opção pelos pobres é uma opção pastoral não excludente, é preciso incluir os poderosos para poder fazer acordos. Acho que os vários partidos da Aliança entendem isso muito bem", afirmou.

Em sua opinião, "a APC foi formada para proteger os mais desfavorecidos do Paraguai, sem excluir a classe empresarial, poderosa, que quiser apostar em um país diferente".

(*Com informações das agências EFE e AFP)

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