Duarte ameaça não passar dados a Lugo se não puder jurar como senador

Assunção, 19 jun (EFE) - O atual presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, advertiu hoje de que poderia obstruir a transferência de dados de organismos do Estado ao Governo eleito se o Congresso rejeitar sua renúncia ao cargo, impedindo-o de jurar como senador eleito. Legisladores do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), o principal aliado do presidente eleito, Fernando Lugo, na Aliança Patriótica para a Mudança anunciaram que se oporão à renúncia de Duarte, que será tramitada nesta segunda-feira no Congresso para que uma sessão conjunta das duas câmaras a aceite ou a rejeite. Duarte, que liderou a lista ao Senado do derrotado Partido Colorado nas eleições gerais de 20 de abril, reafirmou, além disso, que renunciará sim ou sim como passo prévio para jurar, em 1º de julho, na nova legislatura. A candidatura do atual governante a esse cargo foi vetada por grupos políticos que respaldam Lugo, que consideram que Duarte violou a Carta Magna, já que essa torna o presidente um senador vitalício com voz, mas sem voto. O Governo (que sai) tem soberania absoluta até o dia 15 de agosto e se esse afã de construir confiança não é valorizado (...

EFE |

), então poderíamos estabelecer outro mecanismo" de trabalho, afirmou o governante.

Duarte se referiu assim às tarefas da equipe de transição que coordena a transferência de relatórios dos organismos públicos, assim como o ato de posse de Lugo, previsto para 15 de agosto.

Nessa comissão, Duarte, cujo partido perdeu o poder após 61 anos de hegemonia política, é representado pelo vice-presidente do país, Francisco Oviedo, enquanto Lugo tem como emissário o futuro chefe de Gabinete, Miguel Ángel López Perito.

O atual presidente destacou que pretende "colaborar com as pessoas da Aliança para que trabalhe" sem estar obrigado por lei a fazê-lo.

"Vou aceitar a decisão do Congresso, mas a partir daí nossa posição vai ser distinta, porque evidentemente nossos interesses de colaboração estão sendo desvalorizados pela oposição", advertiu Duarte.

Os próprios dirigentes "colorados" admitiram que não contam com a quantidade de votos necessários, a metade mais um da capacidade de ambas as Câmaras (45 senadores e 80 deputados), para que o Congresso aprove a renúncia.

Caso não ocorra a renúncia, Duarte não será senador efetivo e deverá continuar no cargo para entregar a Lugo a faixa presidencial na presença de vários governantes da região.

"Não sei se a oposição quer que os ânimos sejam exaltados e que os espíritos de revanche e confronto cresçam em nosso país. Isso seria um tremendo desprezo aos sonhos de nossos povos", declarou Duarte.

Além disso, lembrou que, apesar de seu partido ter perdido "a nota de entrada principal", venceu a coalizão que apóia Lugo "na lista de senadores, de deputados e da maioria dos governadores".EFE lb/bm/db

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