Drogas enviadas à Europa passam por Venezuela, segundo jornal

Londres, 28 jun (EFE) - As máfias da droga enviam à Europa mercadoria via Venezuela e países africanos como Serra Leoa, Guiné-Bissau e Senegal, segundo o jornal conservador britânico The Daily Telegraph, que cita funcionários dos organismos antidroga.

EFE |

Estima-se que, em 2007, cerca de 250 toneladas de cocaína tenham passado pela Venezuela, o que significaria um aumento de 500% em relação a 2004.

Boa parte dessa droga chegou ao Reino Unido: as autoridades estimam que mais de 50%, ou até dois terços, da cocaína consumida no país tenha passado pela Venezuela.

Segundo o jornal, "acredita-se que autoridades das forças de segurança venezuelanas se beneficiam desse comércio e ajudam os traficantes, e permitem que utilizem aeroportos militares" para suas atividades criminosas.

A cocaína procede normalmente da Colômbia, mas se antes a droga viajava pelo Caribe em direção à Europa ou aos Estados Unidos, hoje é mais provável que chegue à Venezuela, onde é carregada em aviões capazes de alcançar as costas africanas.

Países pequenos, incapazes de controlar o espaço aéreo ou o litoral, como Guiné-Bissau, Senegal e Serra Leoa, são pontos importantes de passagem da droga.

Segundo o "Daily Telegraph", a "transformação" da Venezuela em "um paraíso para os narcotraficantes" tem várias causas.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, suspendeu toda cooperação com a campanha antidrogas americana e, o que é, no entanto, mais grave, segundo o jornal, deixou também de cooperar com a Colômbia, a cujo regime conservador acusa de ser um "fantoche" de Washington.

O jornal britânico afirma que por trás de muitas das atividades dos traficantes na Venezuela está a corrupção e explica que alguns casos bem documentados indicam que membros do Exército, da Polícia e da Guarda Nacional "ajudam ativamente os narcotraficantes".

Segundo o "Daily Telegraph", boa parte da cocaína que sai da Colômbia é embarcada em jatos, e, segundo os funcionários que acompanham esses vôos ilegais, esses aparelhos aterrissam em aeroportos militares dentro da Venezuela.

Em solo venezuelano, a cocaína é carregada em aparatos capazes de percorrer longas distâncias, em geral Gulfstreams, Boeings 727 ou DC-9, para ser levada à África.

De acordo com o último relatório americano sobre a estratégia para o controle do tráfico de drogas, com freqüência "membros do Exército venezuelano facilitam e protegem" as cargas de droga com direção a Trinidad e Tobago. EFE jr/db

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