Drama familiar dos McCann ganhou alcance global em um ano sem Madeleine

Viviana García Londres, 2 mai (EFE).- O desaparecimento da menina britânica Madeleine há um ano, em Portugal, transformou as férias da família McCann em um drama de alcance mundial, devido à contribuição dos pais para divulgar o caso e ao desmesurado interesse da imprensa no mundo todo.

EFE |

Madeleine desapareceu em 3 de maio de 2007 do quarto onde dormia em um centro de férias da Praia da Luz, no Algarve (sul de Portugal), nove dias antes de completar 4 anos, enquanto os pais jantavam em um restaurante próximo.

A notícia comoveu os britânicos, já sensibilizados por outros casos envolvendo crianças, como o das meninas Holly Wells e Jessica Chapman, de 10 anos, raptadas e assassinadas em 2002 por Ian Huntley, zelador da escola onde as duas crianças estudavam, em Soham, no leste da Inglaterra.

No caso de Madeleine, o desaparecimento de uma menina britânica ocorreu no exterior, o que pode explicar o grande interesse da imprensa, ávida por histórias sensacionalistas.

Gerry e Kate McCann, pais de Madeleine, viram nesse furor midiático um bom instrumento para divulgar o desaparecimento da filha.

Além de recorrer à Polícia, os McCann iniciaram uma intensa campanha, que continua até hoje, conseguindo o apoio de familiares, amigos, escritores, personalidades do mundo do esporte, empresários e políticos.

Enquanto as forças da ordem faziam suas investigações, parentes e amigos falavam com a imprensa, o jogador de futebol David Beckham ia à televisão pedir ajuda à população e a escritora J. K. Rowling - criadora da saga de Harry Potter - oferecia fundos para uma recompensa por qualquer informação sobre "Maddie".

A imagem de Madeleine percorreu o mundo. Cartazes com o rosto da menina foram colocados em estações de trens, nos bancos e, especialmente, nos aeroportos britânicos.

O Governo britânico se envolveu no caso, e o Ministério de Assuntos Exteriores enviou em maio de 2007 o jornalista Clarence Mitchell, então diretor do Media Monitoring Unit - departamento do Executivo que monitora informações da imprensa -, a Portugal para ajudar os McCann a lidar com os veículos de comunicação.

Gerry e Kate, ambos médicos católicos de Leicestershire, no centro da Inglaterra, viajaram por vários países europeus e conseguiram até uma audiência com o papa Bento XVI, no Vaticano.

No Reino Unido, os parentes dos McCann criaram o Fundo Madeleine, destinado a arrecadar dinheiro para financiar as buscas pela menina e ajudar outras famílias que venham a enfrentar uma situação parecida no futuro.

Em setembro de 2007, o fundo já contava com mais de 1 milhão de libras (R$ 3,3 milhões), graças às contribuições de companhias e cidadãos que se solidarizavam com o drama dos McCann.

No entanto, quando a Polícia Judiciária portuguesa declarou Gerry e Kate como suspeitos do desaparecimento da filha, em 7 de setembro do ano passado, muita gente retirou o apoio financeiro ao casal.

A ampla divulgação da história, em muitos casos com informação não verificada e sem fontes, foi motivo de debate entre os britânicos, que se perguntavam se famílias com menos recursos que os McCann teriam recebido a mesma atenção em um caso semelhante.

O casal acha que a menina está viva e a continua procurando, porque até agora não há provas de que tenha sido assassinada.

Recentemente, Gerry e Kate visitaram o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas dos Estados Unidos, que os informou sobre o sistema de alarme Amber, mecanismo que consiste em uma rápida mobilização diante do desaparecimento de um menor.

Os pais de Madeleine acham que a Europa poderá aplicar no futuro um sistema parecido, enquanto esperam que alguém, em algum lugar, os avise que "Maddie" foi encontrada. EFE vg/an

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