Drama envolvendo Opus Dei é destaque no Festival de San Sebastián

Héctor Llanos Martínez. San Sebastián (Espanha), 25 set (EFE) - O cineasta espanhol Javier Fesser apresentou hoje no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián seu filme Camino, que narra a história de uma família da Opus Dei. Trata-se de uma mudança radical na trajetória cinematográfica de Fesser após suas produções anteriores, El milagro de P. Tinto e La gran aventura de Mortadelo y Filemón, duas comédias.

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A seção oficial da 56ª edição do festival também exibiu hoje o filme canadense "Maman est chez le coiffeur", da cineasta suíça Léa Pool.

No caso de Fesser, após o sucesso das duas comédias, o diretor adota em "Camino" uma nova linguagem, "que é o que requeria" este conto de amor e morte, que - como ele mesmo explicou à Agência Efe - é inspirado na história real de Alexia González-Barros.

Esta menina, filha mais nova de uma família integrante da Opus Dei, morreu em 1985, aos 14 anos, após sofrer uma dolorosa doença, e atualmente está em processo de canonização.

Ela serve de ponto de partida para retratar "Camino", que mostra uma menina de 11 anos que tenta impor o prazer da redenção através da dor, neste filme que foi feito com "respeito e sem ambigüidades", como contou Fesser aos jornalistas.

Em "Camino", elementos contraditórios se conectam; a pressão que exercem sobre ela os dogmas impostos pela família e os sentimentos incontroláveis que nascem em seu interior, ao se apaixonar por Jesus, um adolescente da mesma idade - e não o filho de Deus -, para a consternação de sua mãe.

Desta forma, Fesser conta a história de uma menina que foge de seu destino, apesar da supervisão de uma mulher cuja devoção parece manter sob controle o mais visceral dos sentimentos, o maternal.

A mãe, interpretada por Carmen Elías, é a personagem mais definida da história e, por sua vez, a que apresenta a universalidade procurada por Fesser, graças à colaboração com a atriz, que teve que trabalhar "tendo o roteiro como inimigo", já que, segundo o diretor, "é fácil sentir rejeição por essa mãe".

Já a produção canadense "Maman est chez le coiffeur", de Léa Pool, que quase não gerou interesse entre a imprensa credenciada, traz novamente histórias de família e drama à seção oficial do festival.

O repentino abandono por parte da mãe transforma o futuro de três adolescentes durante o verão de 1966, especialmente o de Élise, obrigada a tomar as rédeas da situação perante a incapacidade de um pai superado pelas circunstâncias e pelo comportamento destrutivo de seu irmão mais novo.

Afetada por esta mesma situação, a diretora também foi abandonada durante a infância, assim como a roteirista do filme, Isabelle Hébert.

Por isso, as duas tentam refletir o "drama" dos adultos "através do que sofrem seus filhos", estimuladas pelo desafio de "justificar na tela" a decisão de uma mulher de se afastar dos seus mesmo quando gosta deles, "um tema tabu" na cultura atual, explicou a cineasta.

Professora antes de se tornar diretora, Léa Pool está acostumada a filmar com crianças e adolescentes, e, em "Maman est chez le coiffeur", admite ter se inspirado em outra produção canadense, o filme "Léolo", uma poética análise sobre a infância escrita e dirigida por Jean-Claude Lauzon em 1992. EFE hlm/ab/db

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