Dos 15 candidatos a premiê na Itália, só dois têm chances reais

Roma, 12 abr (EFE).- Quinze candidatos disputam o cargo de primeiro-ministro nas eleições gerais de amanhã e segunda-feira na Itália, mas só dois deles têm, segundo as últimas pesquisas, chances de conquistar o objetivo: Silvio Berlusconi e Walter Veltroni.

EFE |

Os pouco mais de 47 milhões de italianos com direito a voto poderão escolher entre 32 listas, das quais apenas 15 possuem candidato à chefia de Governo e oito estão representadas em todas as circunscrições eleitorais do país.

As eleições gerais apresentam uma mudança com relação às últimas, realizadas há dois anos. Na ocasião, duas grandes coalizões apoiaram os dois candidatos principais: Berlusconi e Romano Prodi, com este último conquistando a vitória.

O mandato de Prodi foi marcado por intensas divisões em sua base aliada, que dificultaram o manejo do país e provocaram, inclusive, seu pedido de renúncia, depois de o Parlamento ter negado voto de confiança a seu Governo em 24 de janeiro último.

Com isso, as coalizões perderam força para coligações menos extensas, baseadas na importância de um grande partido.

O ex-premiê Berlusconi volta a brigar nas urnas, mas desta vez pelo partido Povo da Liberdade (PDL). Seu principal adversário é Veltroni, do Partido Democrata (PD).

As últimas pesquisas, divulgadas em 28 de março, último dia permitido pela lei para a difusão de enquetes visando ao pleito geral, dão como vencedora a lista de Berlusconi na Câmara dos Deputados, embora mantenham incertezas sobre o Senado.

O PDL bateria o PD por 5 a 8 pontos percentuais para a Câmara - composta no total por 630 membros -, obtendo maioria absoluta na Casa. Mas onde o futuro é incerto mesmo é no Senado, formado por 315 integrantes.

Os indecisos, segundo as pesquisas, estão em 30%, e isso pode decidir a disputa em favor de qualquer um dos partidos.

Atrás de Berlusconi e Veltroni aparecem, com apenas 6% das intenções de voto, o líder da Esquerda-Arco-Íris (SA), o comunista ortodoxo Fausto Bertinotti - ex-aliado de Veltroni -, e Pierferdinando Casini, ex-aliado de Berlusconi e número um da lista do União de Centro (UC).

Magnata das telecomunicações e presidente do clube de futebol Milan, Berlusconi é o terceiro homem mais rico da Itália e busca no pleito de amanhã e segunda-feira superar a derrota sofrida em 2006 para Prodi.

O programa de Berlusconi inclui "sete missões" para o "renascimento" do país, entre elas o retorno do uso de energia nuclear, proibida em um plebiscito em 1987.

As outras envolvem subsídios a famílias, maior segurança e justiça, melhora dos serviços prestados aos cidadãos, potencialização do sul do país, a introdução do federalismo e um plano extraordinário para otimizar os gastos públicos.

Veltroni coincide com Berlusconi em apontar a necessidade de um recuo dos impostos.

O ex-prefeito de Roma percorreu em um ônibus todo o país apresentando seu programa eleitoral, de 12 pontos, entre os quais está incluída uma lei para os casais de fato.

O PD propõe benefícios fiscais aos trabalhadores dependentes, incentivos para os aluguéis de imóveis, e a introdução do salário mínimo de 1.000 a 1.100 euros mensais para trabalhadores com contratos que oferecem pouca estabilidade.

Veltroni propõe ainda uma diminuição do número de parlamentares nacionais, com uma Câmara com 470 deputados e um Senado com 100 integrantes.

A postura tranqüila e a fala pausada de Veltroni, que critica seus adversários sem nomeá-los, fez com que a campanha eleitoral fosse atípica e apática em comparação com pleitos anteriores.

Desta vez, por exemplo, quase não houve gafes por parte de Berlusconi, que na campanha de 2006 disse que venceria as eleições porque seus eleitores não eram "imbecis" e que na China de Mao "cozinhavam as crianças para fazer adubo".

Também ao contrário de 2006, na atual campanha não houve debates entre os dois principais candidatos na TV.

Além das legislativas, os italianos vão às urnas para eleger 462 prefeitos, entre eles o de Roma. Estarão em disputa ainda oito deputações e os cargos de governantes das regiões da Sicília (sul) e de Friuli-Venezia Giulia (oeste). EFE alg/fr/mh

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