Dormimos ao som de pessoas que velavam parentes e vizinhos, conta brasileiro no Haiti

Dormimos no jardim da casa ao som dos cantos de pessoas que velavam seus parentes e vizinhos, contou o estudante da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Rodrigo que, junto com seis colegas e o professor de Antropologia Omar Ribeiro Thomaz, está no Haiti desde o dia 31 de dezembro.

Camila Nascimento, iG São Paulo |

  • Veja fotos da destruição após terremoto no Haiti
  • Após a tragédia, solidariedade reúne diversos países
  • Haiti vive cenas de destruição e desespero; assista
  • Veja as principais notícias sobre o terremoto no Haiti

    AFP
    Haiti

    Haitianos assustados pelas ruas de Porto Príncipe

    O grupo, que está em Porto Príncipe (capital do Haiti) para uma pesquisa de campo em áreas de conflito, tem relatado em um blog o que presenciam no país devastado por um terremoto que atingiu a região na última terça-feira.

    "O grupo estava dividido em dois. Uma parte tinha ido à Universidade do Estado, entrevistar um professor, a outra ficou na La Pleiade, a maior livraria de Porto Príncipe. Eu estava na livraria. De repente, foi como se uma onda passasse pelos nossos pés e tudo começou a tremer. Corremos para o meio da rua e durante mais ou menos um minuto, entre gritos e coisas caindo, ficamos perto um do outro", conta Rodrigo no blog.

    "As pessoas começaram a levantar os braços gritando Jesus e Bon Dieu, um posto de gasolina explodiu na quadra ao lado e feridos apareciam aos montes, dentro e fora dos escombros. Caminhamos em direção à casa do Viva Rio, onde estamos hospedados. Somos cerca de 15 brasileiros na casa", completou.

    "Cânticos e clamores"

    Segundo o professor, o grupo está em um casa que não foi afetada pelo terremoto. Desde quarta-feira, passam a maior parte do tempo no jardim da casa, onde também dormem por precaução.

    Omar conta, no blog, que desde terça-feira a população dorme nas ruas e "períodos de silêncio são entrecortados por cânticos e clamores, sobretudo após os tremores".

    AP
    Haiti

    Casas destruídas na capital do Haiti, Porto Príncipe

    "País renegado"

    "O que presenciamos ontem (terça-feira) no Haiti foi muito mais do que um forte terremoto. Foi a destruição do centro de um país sempre renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia", conta o estudante Otávio Calegari Jorge.

    "Saindo às ruas em busca de água, o pessoal viu muitas pessoas feridas na rua, mortas, casas desabadas e pessoas retirando os escombros, além de briga por comida, saques, um tiroteio", completou o estudante Werner Pereira, no blog.

    Leia também:

    Leia mais sobre terremoto

    • Leia tudo sobre: haititerremoto

      Notícias Relacionadas


        Mais destaques

        Destaques da home iG