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Doris Payne, 79 anos, profissão: ladra de joias

Antonio Martín Guirado. Los Angeles (EUA), 29 jan (EFE).- Ela tem 79 anos e adora roubar.

EFE |

Não consegue evitar. Até tal ponto que depois de passar nove anos em uma prisão e mais de meia vida foragida, na sexta-feira passada não resistiu e furtou um casaco impermeável avaliado em US$ 1,3 mil.

Essa é Doris Payne, de profissão, 'ladra de joias'.

Payne é uma ladra de fama internacional. Tanto que sua história e seus feitos serão levados ao cinema por Hollywood (Los Angeles, EUA) em uma produção que terá a atriz americana Halle Berry no papel protagonista e que atualmente está em fase de desenvolvimento.

Em seu expediente estão furtos de várias pedras preciosas em luxuosas lojas de Nova York (EUA), Las Vegas (EUA), Londres, Paris, Monte Carlo (Mônaco) e Tóquio. Seu último capricho, no entanto, algo distante das façanhas que tanto gosta de aprontar, pode lhe custar caro.

Segundo o policial Mark Manley, citado pela imprensa local, Payne foi detida em Orange County (Califórnia, EUA) pelo furto de um casaco da marca Burberry, avaliado em US$ 1,3 mil.

Ela é acusada de ter retirado as etiquetas de preço e saído do estabelecimento Saks Fifth Avenue com a roupa no corpo e sem pagar.

Payne declarou-se na terça-feira inocente do delito na Corte Superior de Orange County, como explicou a porta-voz da defesa, Farrah Emami.

A anciã estava em liberdade condicional por uma condenação anterior e atualmente voltou para a prisão, sem a possibilidade de pagamento de fiança.

Em 1999, após passar pequenas temporadas em prisões dos estados de Ohio, Kentucky, Virgínia Ocidental e Wisconsin, foi condenada a 12 anos em prisão por furtar um anel de diamantes de cinco quilates em uma loja em Denver (Colorado).

Em 2005, conseguiu liberdade condicional e decidiu continuar os crimes em outros Estados, como Nevada, onde furtou um anel avaliado em US$ 8,5 mil, e na Califórnia, onde se atreveu em uma loja de Neiman Marcus com outro anel de platina e três diamantes cujo preço alcançava US$ 31,5 mil.

Quando foi interrogada sobre o fato, a mulher admitiu a culpa e as autoridades escreveram no relatório policial: Doris Payne, de profissão, 'ladra de joias'.

Foi condenada a uma pena entre dois e cinco anos. E em 2008, de novo, conquistou condicional. Voltou à Califórnia e até agora se manteve longe da vida do crime.

Payne, nascida em Slab Fork (Virgínia Ocidental) em 1930, nunca teve receio em contar à imprensa seus feitos de ladra, já que dedicou ao crime cinco décadas e usou 22 disfarces.

Seu personagem era conhecido à perfeição. Sempre vestia roupas excelentes, agradava pelos gestos delicados e transparecia aos vendedores uma conduta irrepreensível, se fazendo passar por uma senhora rica.

A chave dos roubos residia na sua grande habilidade com as mãos.

Seu 'modus operandi' era simples. Experimentava um anel atrás do outro, causando confusão ao atendente.

"Pedia pelo menos cinco joias, normalmente esmeraldas e diamantes. Quando decidia qual roubar, o colocava no dedo e fazia com que o atendente visse o anel em seu dedo. Então distrai o encarregado e pedia mais joias. Era o momento para mudar a joia de mão e mostrar ao funcionário que não havia mais nada na mão", explicou o jornal "Los Angeles Times" em 2008.

Payne, filha de um mineiro analfabeto, manifestou ao jornal que roubou seu primeiro diamante - avaliado em US$ 22 mil - aos 23 anos, com a esperança de obter o dinheiro suficiente para que sua mãe deixasse o marido, um homem violento abusava dela.

A partir daí, não largou a vida do crime. Até o ponto que declarou não saber mais a quantidade de joias furtadas.

Inclusive a entidade da segurança da indústria dos joalheiros mandou boletins nos anos 70 advertindo sobre Payne.

"Tive remorsos, mas também alegrias", disse a mulher ao jornal.

Em poucas semanas, saberá a nova decisão da justiça, mas poucos duvidam a esta altura que Payne voltará a fazer o que melhor sabe fazer, porque não deverá receber outra condicional.

Mas Hollywood, com Berry à espreita, dará conta disso. EFE mg/dm

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