número de mortos em Sichuan e em províncias vizinhas pelo terremoto da segunda-feira passada supera os 32.477." / número de mortos em Sichuan e em províncias vizinhas pelo terremoto da segunda-feira passada supera os 32.477." /

Dor e destruição marcam caminho até epicentro de terremoto na China

WENCHUAN - Chegar a Wenchuan, o epicentro do terremoto que arrasou a China no último dia 12, continua sendo tarefa muito difícil, porém, em companhia dos milhares de soldados que viajam ao lugar para ajudar às vítimas, é possível entrar e ter uma idéia da dor e da destruição. O http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/05/18/terremoto_deixa_mais_de_32477_mortos_e_220109_feridos_na_china_1317362.html target=_topnúmero de mortos em Sichuan e em províncias vizinhas pelo terremoto da segunda-feira passada supera os 32.477.

EFE |

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  • A estrada para Yinxiu, o povoado mais devastado do distrito (sete mil de seus dez mil habitantes morreram), está tomada por grandes pedras e automóveis sob os escombros, o que fez com que nos primeiros dias só fosse possível chegar lá de pára-quedas.

    AFP
    Mulher chora ao encontrar o corpo do marido
    Uma outra forma de chegar ao povoado é com lanchas usadas pelo Exército Popular de Libertação para enviar ajuda humanitária a esta remota zona, situada ao norte da província de Sichuan. Nas lanchas, os soldados, a maioria com menos de 20 anos, dizem, cheios de patriotismo, que trabalham 24 horas por dia para ajudar Wenchuan, uma zona que era bastante apreciada por turistas. "Não durmo, e ainda que tentasse, não poderia. Há tanto sofrimento, e viemos ajudar", disse à Agência Efe o soldado Sun, de 22 anos, que, junto com seu regimento, chega à província de Jiangsu.

    O barco sobe o rio Min, que há mais de dois mil anos conserva o que é hoje a mais antiga obra hidráulica do mundo, um Patrimônio Mundial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que, da mesma forma que o resto da zona, ficou gravemente danificado.

    No lugar de destino das lanchas militares, o ambiente é quase o de uma guerra. Tendas de campanha, milhares de soldados, e no ar, panfletos lançados de helicópteros dando ânimo aos recrutas e pedindo que se trabalhe ao máximo para salvar o país.

    Junto aos soldados, dezenas de pessoas das montanhas que fogem dos deslizamentos de terra e que perderam tudo. "Minha mulher e meu filho morreram. Não sobrou ninguém, isto é muito cruel", diz com amargura Hui Lian, um dos "refugiados".

    A maioria, no entanto, prefere não dizer uma palavra sobre o terremoto, porque só se lembram de um pânico geral e da perda de seus entes queridos.

    Lá, centenas de soldados fazem uma longa caminhada pelas encostas do monte, passando por pontes caídas, estradas partidas pela metade e por refugiados que fazem o caminho inverso.

    O chefe da tropa nunca lhes deixa descansar: "Não parem", grita para os que ficam para trás.

    Finalmente, após uma hora ou duas de caminhada, aparece, ainda que distante, Yinxiu, ou o restante desta antiga base de turismo na montanha.

    Logo depois, onde já não é possível entrar, vê-se o instituto local, não totalmente derrubado, mas inclinado mais de 50 graus em direção ao solo.

    No resto da região, que tinha dez mil habitantes e na qual se calcula que morreram mais de sete mil pessoas, se repete a cena vista em cidades maiores como Beichuan: ruas inteiras que agora são pilhas de vigas e escombros, e poucos edifícios, que estão inclinados de forma perigosa para o lado.

    "Cerca de 60% de tudo estão destruídos, e o que ficou de pé é preciso derrubar", diz à Efe um responsável pela avaliação de danos do Centro Sismológico Nacional.

    Alguns moradores, muitos deles de etnia tibetana, não hesitam em subir nos escombros das casas menores para buscar o pouco que ficou inteiro, mas ninguém se atreve a entrar nos edifícios, com medo de cair.

    "Ontem (sexta-feira), quando chegaram os soldados, tudo estava cheio

    AFP
    Voluntários descansam durante resgate
    de corpos", assegura uma voluntária, que a cada dia vai ajudar aos soldados e refugiados.

    Os soldados não falam muito com os jornalistas, dizendo que a única coisa que fazem todos os dias é seguir as ordens de seus superiores.

    Um dos dirigentes das operações olha com receio para os repórteres. "Não é da 'CNN', não?", pergunta em alusão aos problemas que os chineses tiveram com a rede americana devido a cobertura do conflito no Tibete.

    Na difícil tarefa dos bombeiros retirando escombros, postes caídos sobre as janelas e soldados descansando entre as ruínas, uma pausa para a alegria: enfermeiros militares chegam transportando em uma maca um ferido que foi resgatado com vida cinco dias após o terremoto ser registrado.

    Junto a isso, cenas quase absurdas, como a de habitantes tibetanos da cidade passeando tranquilamente de bicicleta ou de carro em uma das poucas ruas que sobreviveram à destruição gerada pelo terremoto.

    Ao afastar-se de Yinxiu, uma boa notícia: as escavadeiras transportadas por barcos até o lugar já limparam o caminho, e os caminhões militares já podem circular levando a ajuda humanitária com mais rapidez para Wenchuan.

    Os soldados, nessa longa marcha que se repete 70 anos depois da que Mao Tsé-tung e seu Exército vermelho fizeram também por Sichuan, abrem um corredor para a passagem de caminhões e aplaudem o êxito conseguido.

    Clique na imagem e veja o infográfico sobre o terremoto na China

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