Dor e ansiedade seguem em Sichuan durante remoção de corpos após terremoto

Antonio Broto Juyuan (China), 14 mai (EFE).- Fogos explodem junto a uma escola reduzida a escombros no povoado de Juyuan, da província sudoeste chinesa de Sichuan: é uma demonstração de dor e luto dos pais do menino Li Di, cujo corpo acaba de ser retirado de maca das ruínas por soldados.

EFE |

Sua mãe e seu pai, que passaram três dias no pátio do colégio - agora coberto de barro, garrafas de plástico vazias, postos de emergência e curiosos -, choram batendo no peito e perguntando: "Por que, por que isso nos aconteceu?".

Foi uma das milhares de cenas dramáticas deixadas pelo terremoto de Sichuan, o pior sofrido pela China em 30 anos, e que destruiu milhares de famílias em localidades como Juyuan, onde praticamente toda a cidade dorme em barracas de campanha improvisadas com plásticos.

Pais dos alunos da escola de ensino médio derrubada, que era considerada "a melhor da região" e na qual ainda há entre 100 e 200 estudantes soterrados, esperam ansiosamente a chegada de macas com vítimas, já sabendo que muitas delas não sobreviveram à tragédia.

"Na terça-feira foram retiradas dezenas de corpos, e só dois ou três estudantes com vida", contam os pais de Yang Xi, uma menina de 15 anos que ainda está sob os escombros.

A mãe não é capaz de falar, arrasada pela dor, enquanto o pai reconhece que quase não têm esperanças de ver a filha com vida, "embora também não se deve perdê-las".

Na cidade vizinha de Dujiangyan, tomada pelos soldados e equipes de resgate, algumas casas resistiram ao forte terremoto, enquanto outras ficaram reduzidas a montanhas de vigas e tijolos.

Uma mulher de cerca de 50 anos, de sobrenome Yang, saiu com vida de uma dessas montanhas, quase milagrosamente.

"No momento do terremoto, tudo se movimentava, não consegui ficar de pé. Depois, perdi a visão. Meia hora depois, saí dos escombros", relatou a sobrevivente, vestida com a mesma roupa e as pantufas com as quais estava no momento da tragédia, já que são as únicas que restaram.

Ela saiu em meia hora de sua casa destruída, ajudada por seus familiares, mas sua mãe, que também sobreviveu, demorou quatro horas para ser resgatada.

Cenas de alívio e de tristeza se intercalam ao longo dos últimos dias: a própria Yang tem que consolar Zhang Tao, que acaba de chegar da província vizinha de Qinghai para ver se seus parentes sobreviveram, e descobriu que nem seu marido nem sua mãe conseguiram.

Zhang, inconsolável, é acompanhada por duas enfermeiras que tentam acalmar sua ansiedade, enquanto a seu lado passa uma comitiva transportando, entre mostras de dor, uma manta na qual está envolvido o corpo de uma mulher.

Também são muitas as cenas de solidariedade, tanto em Juyuan como em Dujiangyan, onde a população faz fila para que as equipes de socorro os entregue um pouco de comida e água, que escasseiam na região após o desastre.

"Fazemos fila uma hora e meia para receber um pouco de água e algumas bolachas", explica Jin, um dos atingidos.

Diante do temor que o desastre natural gere epidemias, efetivos sanitários com máscaras distribuem panfletos à população local, nos quais aconselham lavar as mãos com freqüência, agasalhar-se bem e aquecer a comida, entre outras instruções.

Na estrada que vai de Chengdu, capital da província, a essas localidades e outras devastadas pelo terremoto, é possível ver ainda vários motoristas com seus veículos cheios de comida e garrafas de líquidos.

São as mostras de solidariedade voluntária, em um desastre que causou profunda dor ao povo chinês.

Os atingidos agradecem a rápida ajuda em forma de efetivos do Exército, sanitários e equipes de resgate, mas ainda há dúvidas sobre se muitas das escolas que foram derrubadas - tornando-se o grande foco da tragédia - poderiam ter sido construídas com melhores materiais, em uma região de alto risco sísmico como é Sichuan. EFE abc/ev/plc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG