Presos a 700 metros de profundidade, os 33 mineiros devem ser resgatados perto do Natal

Os donos da mina San José pediram desculpas públicas pelo acidente que deixou 33 mineiros chilenos presos no interior da jazida. O pedido de desculpas foi feito durante o depoimento voluntário do gerente Alejandro Bohn, a uma comissão do Congresso chileno, nesta terça-feira.

"A dor que essa situação indesejada e imprevista causou merece desculpas pela angústia vivida nesses últimos dias. Foi uma situação terrível e esperamos que acabe muito em breve", disse Bohn, que esteve acompanhado de seu sócio Marcelo Kemeny. "Como companhia, vamos fazer todo o possível para colocar à disposição de nossos trabalhadores e credores todos os bens que nossa empresa têm disponível para fornecer a eles tudo o que for necessário", completou.

A comissão do Congresso chileno busca determinar as responsabilidades dos órgãos estatais que permitiram a reabertura das operações da mina San José, depois que um acidente matou um de seus trabalhadores em 2007.

Perfuradora, a Xtrata 950 (no centro), é preparada para começar a trabalhar em topo de colina onde 33 mineiros estão presos em jazida desde 5 de agosto
Reuters
Perfuradora, a Xtrata 950 (no centro), é preparada para começar a trabalhar em topo de colina onde 33 mineiros estão presos em jazida desde 5 de agosto
Nesta terça-feira ainda o presidente chileno, Sebastián Piñera, assegurou que os trabalhos do equipamento que resgatará os trabalhadores presos desde o dia 5 na mina San José, em Copiapó, estão indo "muito bem".

"Ontem à noite começou a trabalhar a máquina Raise Borer Xtrata 950 que está fazendo a perfuração na rocha e terá de chegar às profundidades de 700 metros sob a montanha para poder resgatar nossos 33 mineiros", confirmou o mandatário, no Palácio de La Moneda, sede do governo chileno. Segundo Piñera, outro equipamento também está sendo encaminhado para Copiapó e "vai permitir escanear a perfuração que fez uma das sondas para ir ampliando a seção dessa perfuração e ter uma alternativa de resgate".

Durante o fim de semana, versões divulgadas pela imprensa local davam conta de que opções que poderiam encurtar o tempo de resgate de quatro meses para 60 dias estariam sendo colocadas em prática pelas autoridades. O governo desmentiu a notícia, mas confirmou que novas alternativas vinham sendo estudadas.

Piñera reiterou mais uma vez que os operários não sairão à superfície para as celebrações de setembro do Bicentenário da Independência do Chile, mas que será feito todo o possível para poderem celebraras festas de Natal e Ano Novo.

Enquanto é aberto o duto de 66 centímetros de diâmetro e 688 metros de profundidade para retirar os operários da mina, os trabalhadores presos recebem por outra sonda suprimentos, água, atenção médica e psicológica, mensagens de suas famílias e objetos para ajudar a passar o tempo de confinamento.

À região chegaram especialistas da Agência Espacial Norte-americana (Nasa) que apoiarão a manutenção dos mineiros.

*Com Ansa e AFP

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