Dono de fábrica que pegou fogo no Marrocos é acusado de negligência

Rabat, 30 abr (EFE) - O Governo do Marrocos considerou hoje que as reformulações feitas na fábrica de colchões Rosamor de Casablanca por seu proprietário dificultaram o resgate de seus trabalhadores no incêndio que teve origem na bituca de um cigarro.

EFE |

O incidente, registrado no sábado passado, causou a morte de 55 funcionários da empresa.

O ministro do Interior marroquino, Chakib Benmusa, em uma declaração lida em seu nome na Câmara de Representantes, disse que essas mudanças "não autorizadas" foram alguns dos fatores "que impediram a intervenção dos serviços de Defesa Civil e sua ação para controlar o fogo a tempo".

No episódio, que afetou essa fábrica de colchões situada em um subúrbio da capital econômica do país, 55 trabalhadores morreram - 49 deles já foram identificados -, segundo a declaração ministerial à qual teve acesso a agência "MAP".

O ministro confirmou o número de mortos e disse que 17 pessoas ficaram feridas no incidente.

Benmusa acrescentou que as primeiras investigações e as declarações de testemunhas apontam que o incêndio foi causado pela bituca de um cigarro, jogada por um dos trabalhadores na oficina de carpintaria da fábrica.

Os primeiros dados da investigação também indicam que a fábrica empregava 130 pessoas, sendo 50 mulheres, mas que só 9 constavam como assalariados e que o resto fazia parte de duas sociedades.

Na terça-feira, a Promotoria do Tribunal de Apelações de Casablanca anunciou a abertura de diligências judiciais contra o proprietário da fábrica de colchões e contra seu filho, gerente da mesma.

Os dois poderiam ser acusados de falta de condições e equipamentos de segurança na fábrica, homicídio e ferimentos involuntários e por omissão de socorro.

O incêndio afetou uma instalação de quatro andares especializada na fabricação de colchões, situada no bairro de Lisasfa de Casablanca e que se propagou rapidamente por todo o imóvel pela combustão dos produtos químicos utilizados em sua atividade.

A Promotoria anunciou ainda que foi aberto um inquérito contra a pessoa que seria o responsável pelo incêndio e que todos os acusados estão detidos.

Também anunciou a abertura de uma investigação para apurar as responsabilidades que poderiam se derivar de eventuais violações à lei urbanística e ao código de trabalho, entre outras disposições legais.

A Promotoria já tinha informado que conseguiu comprovar a relação entre o incêndio e a queda da bituca de um cigarro sobre produtos inflamáveis na fábrica.

No domingo, o Governo marroquino anunciou a criação de uma comissão ministerial para investigar as possíveis irregularidades administrativas e jurídicas que poderiam ter provocado o fato.

Segundo responsáveis da delegação do Ministério de Emprego em Casablanca, o prédio que pegou fogo não tinha saídas de emergência e as janelas tinham grades, o que fez com que os operários não conseguissem sair.

Fontes do próprio Ministério disseram que a fábrica não respeitava as normas legais do trabalho em matéria de segurança e de direitos trabalhistas. EFE jam/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG