Johanesburgo, 19 set (EFE).- Os eleitores da Suazilândia, país que detém a última monarquia absolutista da África, foram hoje às urnas para escolher 55 dos 65 membros da Assembléia Nacional (Câmara Baixa), onde partidos políticos não podem participar do pleito e todos os candidatos se apresentam como independentes.

O Rei Mswati III, que é o chefe de Estado, designa os dez membros restantes da Assembléia, nomeia o Gabinete de Governo, incluindo o primeiro-ministro, e exerce também o Poder Legislativo, pois o Parlamento se limita a debater as propostas do Governo e representa apenas um órgão consultivo do monarca.

O rei, que designa ainda os juízes do país, nomeia 20 dos 30 membros do Senado, e o restante é eleito por seus dez designados para a Assembléia. Por isso, na prática, a formação da Câmara Alta fica exclusivamente em suas mãos.

As eleições desta sexta-feira, para as quais estavam aptos a votar cerca de 350 mil eleitores, de uma população total de 1,1 milhão de habitantes, foram denunciadas como uma "farsa" pelos partidos políticos.

Os partidos foram ilegalizados na Suazilândia em abril de 1973, e embora Mswati tenha ordenado a redação de uma nova Constituição, que foi aprovada em 2006, as organizações políticas continuam sem poder participar das eleições, pois o Governo não reconhece o direito das legendas de atuar como "representantes do povo".

A atual Carta Magna suazi, que recebeu inúmeras críticas da comunidade internacional, não proíbe especificamente os partidos políticos, mas estipula que o "mérito individual" é o critério a ser levado em conta para que uma pessoa tenha acesso a um cargo público por eleição, o que favorece candidaturas independentes.

As eleições, realizadas sem incidentes, foram precedidas, no entanto, por protestos e atos esporádicos de violência.

Na véspera do pleito, a Polícia suazi deteve vários ativistas políticos e sindicalistas que se dirigiam a postos fronteiriços com a vizinha África do Sul para protestar pela falta de democracia em seu país. EFE jm/fr

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