"Domingo Sangrento" em Ulster foi injustificável, afirma Cameron

Investigação declara que são inocentes os 14 manifestantes católicos mortos em 1972 pelo Exército britânico

iG São Paulo |

O primeiro-ministro britânico David Cameron afirmou nesta terça-feira que a matança de civis norte-irlandeses por soldados britânicos que passou para a história como o "Bloody Sunday" ("Domingo Sangrento") foi injustificada e injustificável e pediu perdão em nome do governo e em nome da Grã-Bretanha.

AP
Foto de arquivo mostra conflitos em Londonderry em 31 de janeiro de 1972, dia que ficou conhecido como "Domingo Sangrento"
"As conclusões deste informe são absolutamente claras. Não há dúvida. Não há equívoco. Não há ambiguidades. O que aconteceu no 'Bloody Sunday' foi injustificado e injustificável", declarou Cameron no discurso ante o Parlamento ao apresentar as conclusões da investigação.

O premiê pediu perdão em nome do governo e de toda a Grã-Bretanha pelo que aconteceu em sua declaração, transmitida ao vivo num telão na cidade norte-irlandesa de Londonderry, cenário da matança e onde foi recebida com aplausos.

"O que aconteceu nunca deveria ter acontecido. O governo é o último responsável pela conduta das Forças Armadas e, por isso, em nome do governo e de nosso país, lamento profundamente", afirmou.

Relatório inocenta vítimas

Após 38 anos, as famílias das vítimas do massacre que ficou conhecido como "Bloody Sunday" escutaram nesta terça-feira que os 14 manifestantes mortos a tiros por soldados britânicos na cidade norte-irlandesa de Londonderry eram civis inocentes.

O governo britânico publicou nesta terça-feira o informe final de uma investigação de 12 anos sobre o "Bloody Sunday", um dos episódios mais negros do conflito da Irlanda do Norte e que acabou com a morte de 14 manifestantes católicos por disparos de soldados britânicos em 1972.

As conclusões desta investigação judicial, considerada a mais longa e mais cara da história britânica, foram divulgadas simultaneamente em Londres e em Londonderry.

Durante quase quatro décadas de conflito na Irlanda do Norte, a versão oficial, fruto de uma investigação desenvolvida em 1972 por Lorde Widgery, determinou que os militares responderam com tiros à agressão de terroristas do Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês).

As famílias das vítimas e os soldados envolvidos tiveram acesso mais cedo ao informe de 5.000 páginas, que examina os acontecimentos de 30 de janeiro de 1972. Cerca de 60 familiares de vítimas desfilaram antes em silêncio e exibindo fotos em preto e branco de seus parentes.

Reuters
Parentes das vítimas do Domingo Sangrento marcham entre Bogside ao Guildhall para a leitura do relatório Saville, em Londonderry, Irlanda do Norte

Naquele dia, paraquedistas britânicos mataram 13 católicos desarmados e feriram outros 14 - um dos quais morreu posteriormente por causa dos ferimentos - ao abrir fogo contra os participantes em uma marcha a favor dos direitos civis em Londonderry, a segunda cidade norte-irlandesa.

Em janeiro de 1998, o primeiro-ministro britânico Tony Blair encarregou o juiz Mark Saville uma segunda pesquisa cujo custo final ronda os 200 milhões de libras (295 milhões de dólares).

Segundo a imprensa britânica, a nova investigação pode levar ao julgamento de alguns soldados envolvidos, hoje todos reformados.

O "Bloody Sunday" foi um dos episódios chave no conflito entre católicos separatistas e protestantes unionistas que deixou mais de 3.500 mortos ao longo de três décadas e que concluiu com o acordo de paz de Sexta-feira Santa em 1998.

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