Domingo de preocupações

Domingo pode ser o último dia de tranquilidade entre israelenses e palestinos

Nahum Sirotsky, de Israel |

Domingo é o último dia da suspensão de construções nos territórios ocupados. Por todos os cantos, inclusive Jerusalém, elementos da direita israelense estão preparados para retomar obras interrompidas e iniciar outras. Hillary Clinton trabalha sem parar junto a israelenses e palestinos. Domingo pode ser o último dia de tranquilidade.

Mahmoud Abbas (Abu Mazen) reafirmou no auditório da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, que “Israel tem de escolher entre paz e os assentamentos nos territórios ocupados”. Mas explicitou que restaurar a credibilidade ao processo de paz requer que Israel cumpra com suas obrigações e cesse todas as construções nos territórios ocupados, principalmente Jerusalém. Compreende-se que caso contrário Abu Mazen abandonará as conversações de paz. Hillary tenta evitar o colapso das negociações.

Houve quem entendesse que o líder palestino queria a imediata suspensão de todas as atividades na área, radicalizando posições que israelenses jamais poderiam atender. Na verdade ele demanda que sejam paralisadas todas as obras em andamento e o início de outras, o que é outra coisa. Mas é um grande problema para Netanyahu, líder israelense. A vida do gabinete que ele preside inclui o peso decisivo da Direita. Ambos, Abu Mazen e Bibi, jogam com a continuação de seus governos. Se não chegarem a um meio termo aceitável de cada lado, um deles será derrubado. Como Bibi é quem tem de fazer a maior concessão, esticando o prazo da moratória, é provável que perca o apoio de sua Direita em votação parlamentar. Para se segurar terá de ir buscar apoio no Kadima, que se define centrista, ao que tem resistido. À 1 da manhã do domingo israelense, não se previa como será o dia. Preferira Bibi ceder? Firmará o pé na sua posição de autorizar as obras?

Abu Mazen, o presidente da Autoridade Palestina, tem uma posição política precária. Pode teimar. Ele já passou dos 75 e está cansado. Pode ser domingo a sua oportunidade de grande gesto e renunciar. Mas ele insiste que a solução não pode ser à custa de sangue.

Observando tudo está o Hamas, o Movimento de Resistência Islamica qualificado de terrorista que domina vasto segmento dos palestinos em Gaza, onde manda e está infiltrado na zona de Abu Mazen, com quem está rompido.

Se Netanyahu e Abu Mazen não se entenderem, domingo poderá marcar o reinicio de choques que os palestinos do Fatah e os israelenses não desejam. E seria a chance do Hamas. Os que apostam no bom senso acreditam num domingo tranquilo. É a maioria. Mas são sempre minorias que promovem e precipitam a violência. E como é boa a vida vivida sem violência!

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