Domingo, 13 de agosto de 1961: Berlim acorda dividida ao meio

Os habitantes de Berlim comemoram em 2009 os 20 anos da queda do Muro, mas muitos continuam marcados pelo dia, no verão de 1961, em que o paredão de concreto e arame farpado brutalmente cortou a cidade em duas.

AFP |

No chamado "Domingo do arame farpado", 13 de agosto, os alemães orientais acordaram presos em áreas ocupadas pelos soviéticos, separados, em apenas uma noite, de suas famílias e amigos.

A Alemanha Oriental tinha decidido encerrar o êxodo de sua população, que via a República Federal da Alemanha (RFA) como um local de liberdade e prosperidade. Berlim, com suas duas zonas de ocupação, foi o local preferido de passagem para os fugitivos.

Dezenas de milhares de pessoas foram mobilizadas, em segredo, para construir às pressas, na noite de 12 para 13 de agosto, o muro que se tornaria um símbolo da divisão da Europa durante a Guerra Fria.

As imagens dos habitantes da Bernauerstrasse, uma rua paralela à nova fronteira, saltando pelas janelas para lonas postas por bombeiros do lado oeste deu a volta ao mundo, assim como as da Igreja da Reconciliação, cercada para impedir a entrada de ocidentais.

Um das moradoras da rua, Frieda Schultze, de 77 anos, se viu literalmente entre o Oriente e o Ocidente, quando os guardas comunistas a puxaram pelos braços enquanto bombeiros do Oeste puxavam suas pernas abaixo, enquanto tentava saltar pela janela.

Como a maior parte dos berlinenses, Frieda Naumann, naquela época uma estudante, foi surpreendida pelos acontecimentos. "Eu conversei com o pastor da paróquia em 12 de agosto e ele não sabia de nada, como todos nós", disse à AFP.

Karola Habedank, de 55 anos, teve sorte. Amigos de seus pais, instalados no Ocidente, tinham sido avisados dos rumores de construção.

Na manhã do dia 13, foi capaz de fugir com sua família.

"Sem eles eu teria ficado presa no Oriente durante este tempo", disse à AFP. "Mas eu tinha amigos que moravam no mesmo edifício, e que nunca mais vi".

Estes atos de solidariedade dos habitantes do Leste, não foram raros, de acordo com ela.

Gradualmente, os quilômetros de arame farpado foram substituídos por paredes de concreto, enquanto que outros entraves isolavam as duas partes.

Milhares de homens armados, por exemplo, tinham ordens para prender ou matar aqueles que tentassem escapar, enquanto observavam a fronteira de postos avançados.

Isso não impediu que cerca de 5.000 pessoas conseguissem escapar até a queda de 1989, segundo o Grupo de Trabalho de 13 de agosto. Contudo, centenas de pessoas morreram.

Entre elas, um bebê de 15 meses, Holger H., sufocado por sua mãe, escondidos em um caminhão, por medo de que seus gritos alertassem os guardas que vasculhavam o veículo, segundo a Fundação do Mundo de Berlim.

Entre os dispositivos mais imaginativos criados para ultrapassar o muro, se encontra um teleférico, estendido a partir do banheiro de um ministério, que permitiu que toda uma família fugisse.

Outros fugiram a nado, antes que as autoridades da Alemanha Oriental instalassem espinhos de metal sobre a superfície do Spree, o rio que atravessa Berlim.

Dez túneis foram escavados sob a parede, permitindo fugas maciças, como a de 57 pessoas a partir do porão de uma casa perto do Muro em 1964.

Atualmente, apenas alguns fragmentos isolados da parede ainda estão de pé, em Berlim, mas isso não significa que a separação está longe de ter desaparecido completamente, segundo muitos alemães.

"Nunca chorei tanto como quando o Muro caiu. Foi maravilhoso", recorda Karola Habedank.

ric/fb

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