Dólar cai e Mantega não descarta medidas adicionais sobre câmbio

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira, em Brasília, que nada impede o governo de pensar em medidas complementares e adicionais, referindo-se ao mercado de câmbio. Na última segunda-feira, a Fazenda anunciou a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos estrangeiros em bolsa e em títulos públicos, com alíquota de 2%.

BBC Brasil |

"Acabamos de lançar a medida, temos que observar sua repercussão, acreditamos que será positiva, que nós vamos alcançar os objetivos que estão estabelecidos. Isso não impede que possamos pensar em medidas complementares adicionais", disse o ministro, após audiência pública na Câmara.

Mesmo com a cobrança do IOF sobre o capital estrangeiro e com o comentário do ministro sobre medidas adicionais, o dólar comercial seguiu uma trajetória de queda nesta quarta-feira. Por volta das 16h30, a moeda americana registrava baixa de 1,2% e era negociada a R$ 1,72.

Na terça, primeiro dia de negociação sob a nova regra, a moeda americana fechou em alta de 2,1%, valendo R$ 1,74 para compra. Desde o início de 2009, porém, a moeda americana acumula uma desvalorização de mais de 25% na comparação com o real.

Diálogo
Questionado por deputados sobre o fato de outros setores não terem sido consultados sobre a medida, Mantega respondeu que não poderia "dialogar" sobre o assunto de forma antecipada.

"Eu não podia dialogar com os setores porque estaria dando uma informação privilegiada ao mercado", disse o ministro. "Ninguém discute medidas cambiais abertamente. Mas agora que a medida já está implementada, estarei aberto ao diálogo."
Mantega afirmou ainda que seria "complicado" taxar o capital estrangeiro na saída do Brasil, como sugerem alguns especialistas.

"É mais fácil tributar na entrada, porque o governo tem esse dado preciso. Porque ele tem que fazer o câmbio e é nesse momento que ele faz a tributação. Na saída, é mais complicado", disse.

Impacto
Para o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, a alta de terça foi apenas uma reação "natural" do mercado e que a medida anunciada pelo governo terá impacto somente "no curto prazo".

Além disso, investidores teriam aproveitado o dia para "realizar lucros" na bolsa de valores, ou seja, venderam papéis que estavam sobrevalorizados. Na terça, o Ibovespa fechou com queda de 2,88%.

O diretor executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme, diz que a cobrança do IOF sobre o capital estrangeiro é uma medida "frágil", pois a atual valorização do real não é apenas reflexo do "excesso" de dólares no país.

"Esse excesso, o Banco Central está comprando. Inclusive, o Banco Central está retirando do mercado mais do que o excedente", diz.

Segundo ele, o dólar vem caindo também em função das operações dos bancos no país. "As instituições estão com posição vendida (apostam na queda do dólar) e acabam operando de forma que forçam a desvalorização da moeda americana", diz.

Ainda na avaliação de Nehme, a cobrança do IOF tem impacto "parcial" diante da "estrutura" dos grandes bancos de investimento internacionais. "São instituições com estrutura para driblar, de forma lícita, o pagamento desse tipo de imposto", acrescentou.

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