Jerusalém, 26 jan (EFE).- Dois terços dos 220 mil sobreviventes do Holocausto que atualmente residem em Israel sofrem de estresse pós-traumático, segundo um estudo divulgado hoje por uma organização de Tel Aviv que atua para cobrir as necessidades dessas pessoas.

A pesquisa, realizada pela Fundação para o Benefício das Vítimas do Holocausto em Israel, revela, além disso, que 88% deles sofrem pelo menos uma doença crônica.

A fundação, cuja direção está integralmente formada por sobreviventes do genocídio nazista, calcula que o número de testemunhas vivas do massacre será de 156,1 mil em 2014 e de 47 mil em 2025.

Embora esse número diminua, o envelhecimento deste grupo "significa que suas necessidades aumentarão, algo para o que é preciso preparar-se", aponta a pesquisa.

"O estudo revela dados preocupantes que indicam que muitos sobreviventes do Holocausto residentes em Israel têm uma necessidade crescente de apoio substancial e assistência para enfrentar com dignidade seus últimos anos", aponta seu presidente, Ze'ev Factor, que escapou vivo do campo de concentração nazista de Auschwitz.

A fundação atende anualmente cerca de 55 mil sobreviventes e é financiada pelo Governo israelense e por um órgão que administra as reparações mundiais aos judeus pela Shoah (Holocausto).

A metade deles tem depressão e 80% sofrem distúrbio do sono.

"É verdade que em Israel não há sobreviventes do Holocausto sem um teto para dormir ou que passem fome, mas não só de pão vive o homem. Infelizmente, os números mostram que muitos sobreviventes do Holocausto sofrem de estresse pós-traumático, depressão, solidão e problemas médicos crônicos", assegura Factor.

Os dados foram divulgados hoje, véspera do dia internacional em memória das vítimas do Holocausto, para o qual Israel enviou seus principais dirigentes ao exterior.

Assim, o chefe de Estado, Shimon Peres, viajou ontem para a Alemanha, onde amanhã pronunciará um discurso perante o Parlamento.

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, por sua vez, partiu ontem à noite para a Polônia, onde participará da comemoração dos 65 anos da libertação do campo de Auschwitz.

Já o titular de Assuntos Exteriores, Avigdor Lieberman, deve ir hoje à Hungria para assistir a uma cerimônia organizada pela comunidade judaica local.

O número dois da chancelaria israelense, Danny Ayalon, participará amanhã na Eslováquia em um ato de homenagem a não-judeus que salvaram judeus das perseguições dos nazistas e seus aliados.

EFE ap/sa

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