Dois novos atentados terroristas na Argélia deixam 11 mortos e 31 feridos

Javier García Argel, 20 ago (EFE).- Apenas 24 horas após um dos atentados mais violentos dos últimos anos, o terrorismo voltou hoje a atingir a Argélia com dois ataques com carros-bomba na cidade de Bouira, também na região da Cabília, ações que deixaram pelo menos 11 mortos e 31 feridos, informa o Ministério do Interior argelino.

EFE |

A primeira explosão aconteceu às 5h45 hora local (1h45, horário de Brasília) em frente ao quartel do Exército da cidade e deixou quatro militares feridos, além de causar grandes danos materiais.

A fachada do quartel ficou totalmente destruída em conseqüência da explosão, que também causou vários danos em veículos que estavam perto do local do ataque.

Quinze minutos depois ia pelos ares o segundo carro-bomba, que o suicida explodiu em frente de um dos principais hotéis de Bouira, atingindo um ônibus que estava parado em frente ao estabelecimento no momento do atentado.

Um dos feridos declarou à emissora pública argelina no hospital que "o ônibus parou para buscar os passageiros na frente do hotel e, assim que todos subiram e o motorista fechou a porta, aconteceu uma grande explosão".

Esta segunda explosão matou 11 pessoas e deixou 27 feridos, principalmente entre os passageiros do ônibus, que transportava funcionários argelinos da empresa canadense SNC-Lavalin, responsável por construir uma barragem no noroeste da província.

A explosão também causou grandes danos materiais nas imediações.

Os dois atentados de hoje acontecem um dia após o ataque suicida de ontem, que matou 43 pessoas e deixou 45 feridos em uma escola de gendarmaria de Les Issers, na província de Boumerdès.

O atentado de Les Issers, no qual 42 civis morreram, foi um dos mais violentos dos últimos anos na Argélia, com maior número de vítimas inclusive do que os dois ataques suicidas de 11 de dezembro de 2007 em Argel.

Desde o início de agosto, 65 pessoas morreram e mais de 90 ficaram feridas em atentados terroristas na Argélia, apesar das constantes operações das forças de segurança, principalmente na Cabília, onde mataram 12 suspeitos de terrorismo no começo do mês.

As autoridades atribuem a intensificação dos ataques à "fraqueza" dos grupos terroristas, mas a imprensa argelina destaca hoje a "impotência" do Governo frente a estas ações e se pergunta se a organização Al Qaeda para o Magrebe Islâmico (AQMI) está realmente enfraquecida.

O ministro do Interior argelino, Yazid Zerhouni, disse que, "atacando os civis, os terroristas demonstram sua fraqueza e que não têm nenhum alvo político".

"Os grupos terroristas atacam sem distinção todos os cidadãos para se vingarem da sociedade, que não aceita apoiá-los. Confirmam que têm problemas enormes e recorrem aos atentados para estimularem seus partidários, desalentados pelas ações do Exército", afirmou.

Apesar de nenhum grupo ter reivindicado a autoria dos ataques de hoje e ontem, todos os indícios atribuem os ataques à AQMI, nome adotado pelo grupo em outubro de 2006 pelo Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC).

Os comandos concentraram quase exclusivamente seus atentados das últimas semanas na região da Cabília, fato que o ministro do Interior argelino atribui ao "intrincado relevo montanhoso característico da região, o que facilita sua fuga após cometerem estes atos ignóbeis".

O Exército argelino lança praticamente todos os dias grandes operações de busca nas montanhas da região, com o apoio de helicópteros de combate e de unidades de artilharia.

Ontem mesmo vários esconderijos dos grupos armados foram destruídos pelos militares, informaram hoje fontes de segurança.

No entanto, as autoridades argelinas ainda desconhecem o paradeiro do líder da AQMI, Abdelmalek Droukdel, que, segundo suspeitam as forças de segurança, está escondido nos densos maciços florestais desta região. EFE jg/wr/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG