Dois meses depois de terremoto, Haiti começa a avançar

Porto Príncipe, 12 mar (EFE).- Exatamente dois meses depois do terremoto que devastou parte do país, o Haiti alcançou avanços parciais em alguns dos temas mais urgentes, como a alimentação e o abrigo provisório aos sem-teto, mas a reconstrução ainda aparece como algo distante.

EFE |

"É necessário fazer mais e melhor", declarou à Agência Efe o coordenador da ajuda alimentar depois da catástrofe, Michel Chancy, que é também secretário de Estado de produção animal do Ministério da Agricultura.

Após destacar que esta etapa requer de esforços mais eficazes, Chancy disse que, neste momento, três milhões de pessoas precisam de assistência alimentar, como alertou hoje a Coordenadoria Nacional para a Segurança Alimentar (CNSA) do Haiti.

O secretário lembrou que o Governo haitiano iniciou duas operações de distribuição de ajuda alimentícia com o apoio do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU.

Na semana passada, começaram a ser distribuídas 12 mil toneladas de arroz entre os três milhões de desabrigados na primeira fase de urgência. Também teve início outra operação para alimentar 330 mil famílias, informou Chancy.

As operações de distribuição de ajuda alimentar após o terremoto de 12 de janeiro, que matou 217 mil pessoas, beneficiam hospitais, orfanatos e pessoas amparadas no interior, ajudando 600 mil cidadãos.

Chancy agradeceu a "generosidade" da comunidade internacional depois do terremoto, mas lamentou os problemas de coordenação na distribuição da ajuda, que atribuiu não só à situação do país logo após o tremor, mas às debilidades existentes no Haiti mesmo antes da tragédia.

Segundo o secretário, as próximas intervenções importantes serão realizadas especialmente em matéria de "programas de empregos na agricultura e na infraestrutura rural", para reforçar a produção local.

No mesmo sentido, defendeu o aumento da proporção de produtos locais na assistência alimentar para poder reforçar a produção haitiana.

Segundo Chancy, a distribuição de tendas aos 1,2 milhão de desabrigados "progride lentamente, mas há um avanço significativo".

De acordo com os dados disponíveis, 120 mil tendas foram distribuídas e dezenas de milhares ainda devem ser entregues.

No entanto, os especialistas temem que este tipo de abrigo não resista às tempestades da próxima temporada de chuvas.

Cerca de 900 acampamentos improvisados foram instalados em várias regiões do país afetadas pelo terremoto, de acordo com diferentes cálculos.

Segundo fontes da ONU, os sem-teto de Porto Príncipe devem ser distribuídos por cinco acampamentos na periferia da capital.

O planejamento destes acampamentos deve proteger as mulheres e pessoas vulneráveis e facilitar a distribuição da assistência.

Chancy confirmou que continuam as negociações entre o Governo e proprietários de terrenos para chegar a concretizar o projeto.

Um sinal da mudança da situação no Haiti dois meses depois do terremoto é a retirada de 11 mil dos 20 mil soldados que os Estados Unidos enviaram ao país após a catástrofe.

Tal retirada "procede de ajustes nos contingentes, segundo as necessidades, a fim de prosseguir com as atividades humanitárias e de resposta ao desastre tal como o Governo haitiano pediu", declarou a Embaixada dos EUA no Haiti.

Os contingentes adicionais aprovados pelo Conselho de Segurança da ONU para a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) devem estar prontos em breve, disse em Nova York o chefe interino da força, Edmond Mulet.

Setores da sociedade haitiana também retomaram o debate político, incluindo a realização das eleições legislativas, adiadas pela tragédia, assim como as presidenciais, previstas para este ano.

No entanto, há divergências quanto à conveniência ou não de realizar o pleito em meio à difícil situação social e humanitária do país. EFE gp/bba

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