Dois guardas civis mortos nas Baleares às vésperas dos 50 anos da ETA

Dois guardas civis foram mortos nesta quinta-feira na explosão de um veículo diante de um quartel em Calvia, sul da ilha de Maiorca, no arquipélago mediterrâneo das Baleares, no dia seguinte a um atentado atribuído ao grupo separatista Basco, ETA, que fez 64 feridos em Burgos, norte espanhol.

AFP |

A polícia espanhola proibiu a saída das pessoas da ilha para evitar a fuga dos terroristas envolvidos no atentado, informou a Guarda Civil regional.

O aeroporto local também foi completamente fechado.

Uma testemunha relatou à Rádio Nacional da Espanha (RNE) que viu um veículo 4x4 voando pelos ares e uma coluna de fumaça diante do quartel da Guarda Civil. "A zona está toda isolada", acrescentou.

Segundo as primeiras informações, apenas uma pessoa teria morrido na explosão em Palma Nova, sul de Calvia, e haveria vários feridos.

A Comissão Europeia condenou energicamente o que caracterizou de bárbaro atentado.

Na véspera, a explosão de um furgão-bomba junto a um conjunto habitacional da Guarda Civil em Burgos (norte da Espanha) deixou 64 feridos leves, entre eles seis crianças, em mais um atentado atribuído à organização separatista armada basca ETA.

O ETA comemora seus 50 anos de fundação nesta sexta-feira.

Os dois jovens agentes estavam num veículo oficial quando aconteceu a explosão que os vitimou de imediato, informou a guarda civil das Baleares.

As circunstâncias exatas da explosão ainda estão um pouco confusas, com algumas pessoas falando de uma bomba colocada sob o veículo e outras de uma explosão na passagem da viatura.

Nem o chefe do governo espanhol, nem o ministro do Interior falaram sobre o assunto até a tarde desta quinta-feira; o atentato foi cometido na véspera do aniversário de 50 anos da fundação da ETA por estudantes nacionalistas de inspiração marxista-leninista, sob a ditadura de Francisco Franco.

O local do atentado, no balneário de Palma Nova, fica perto de numerosos hotéis e locações turísticas.

Um amplo perímetro de segurança de dois quilômetros foi traçado em volta do local do atentado, constatou um fotógrafo da AFP. Os turistas hospedados na proximidade foram obrigados a permanecer em seus hotéis, até nova ordem.

O aeroporto, por onde transitaram 22,8 milhões de passageiros em 2008, só poderá ser utilizado por enquanto para as operações de emergência.

As saídas por via martítima da ilha estão proibidas, por tempo indeterminado, num momento em que a estação estival chega com plena força, com dezenas de milhares de turistas esperados para o mês de agosto.

O atentado foi praticado a uns dez quilômetros de Marivent, a residência de verão da família real espanhola. Mas nem o casal real nem os príncipes de Astúrias, Felipe e Letizia, estavam na ilha no momento, segundo um porta-voz da Casa Real ouvido pela AFP.

A ETA é considerada responsável pela morte de 826 pessoas durante a luta armada.

Enfraquecida desde a ruptura de sua trégua de 2006-2007 por prisões de seus membros pela polícia, a ETA havia indicado no final de maio que faria uma reflexão "para decidir sobre uma estratégia politica e armada mais eficaz", sem parecer se preparar para renunciar à violência.

bur-cn/sd

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