Dois grupos reivindicam autoria de ataques durante desfile no Afeganistão

(acrescenta versões de Defesa, reivindicações e palavras de Karzai) Cabul, 27 abr (EFE).- O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, saiu ileso neste domingo de uma ataque, reivindicado tanto pelos talibãs como por um grupo armado relacionado à Al Qaeda, e realizado quando começava o desfile de comemoração pela vitória mujahedin contra o Governo comunista apoiado pelos soviéticos.

EFE |

Uma pessoa morreu e 11 ficaram feridas no ataque - cujas características ainda não estão claras -, informou à Agência Efe o porta-voz do Ministério da Defesa, Zahir Azimi, que não disse quem foram as vítimas.

O porta-voz talibã Zabiullah Mujahid assegurou à Efe que seis insurgentes do grupo tinham atacado durante a cerimônia com rifles de assalto e que três deles morreram no tiroteio que se seguiu, enquanto os outros escaparam para um "lugar seguro".

Segundo Mujahid, os talibãs lançaram seu ataque cerca de 30 metros do palanque no qual Karzai e outros dignatários presenciavam o grande desfile militar, que foi interrompido enquanto milhares de pessoas fugiam apavoradas.

A autoria do ataque também foi atribuída ao líder radical afegão Gulbudin Hekmatiar, um ex-mujahedin que agora está associado à rede terrorista Al Qaeda.

Um porta-voz de Hekmatiar disse à rede de televisão privada "Tolo" que seus homens tinham atacado durante a cerimônia com foguetes a partir de uma casa situada a cem metros de Karzai.

Pouco após ser retirado do local por seus guarda-costas, Karzai apareceu na televisão para confirmar que estava bem e anunciar que vários agressores tinham sido detidos.

O porta-voz da Defesa não pôde confirmar quantas pessoas foram detidas nem a que grupo insurgente pertencem.

O ataque aconteceu poucos minutos após começar a cerimônia de comemoração da vitória dos mujahedins afegãos contra o Governo comunista apoiado pela União Soviética, em 1992, e se confundiu com o som das salvas de canhão e o hino que nesse momento estava sendo escutado.

As tropas soviéticas se retiraram do Afeganistão em fevereiro de 1989, após dez anos de ocupação e conflitos contra diferentes grupos de mujahedins, dos quais o de Hekmatiar foi o que mais ajuda externa recebeu.

Outros grupos de antigos mujahedins têm uma forte presença no Parlamento e no Governo de Karzai e a cada ano lembram com um desfile em Cabul sua vitória contra o comunismo.

Na década de 1990, os talibãs se levantaram em armas contra o Governo dos mujahedins, após vários anos de uma sangrenta guerra civil entre as diferentes facções que tinham lutado contra a URSS, afundando o país no caos. EFE lo-ja/ma

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