Cientistas isolaram dois genes que talvez possam impedir a infecção pelo HIV, ou pelo menos diminuir o ritmo no qual as pessoas infectadas desenvolvem a Aids, segundo as conclusões de um novo estudo.

Os genes foram isolados comparando-se o perfil genético das pessoas em seu primeiro ano de infecção pelo HIV com o de pessoas que conseguiram resistir à infecção, apesar de exposições repetidas ao vírus.

As "boas" versões dos dois genes estavam presentes em 12,2% das pessoas que resistiram à infecção e em apenas 2,7% dos pacientes contaminados recentemente pelo HIV.

Os pesquisadores ainda não têm muita certeza sobre como estes genes funcionam para proteger da infecção.

Mas verificaram que um dos dois genes comanda um receptor na superfície das células consideradas matadoras naturais, integrantes do sistema imunológico, que destroem as células infectadas. O outro comanda uma proteína ligada ao primeiro gene e atenua a atividade das células matadoras.

A explicação mais plausível é que o HIV impede a proteína que atenua a atividade das células matadoras de se propagar, deixando que elas destruam as células infectadas pelo HIV.

Como isso pode acontecer pouco tempo depois da infecção inicial, as pessoas possuindo estes dois genes poderiam destruir de forma mais eficiente as células infectadas e reduzir seus riscos de desenvolver a Aids.

"Precisamos fazer mais pesquisas para determinar o mecanismo exato por trás desta proteção que observamos, mas essas concluções mostraram um caminho encorajador", declarou uma das autoras do estudo, Nicole Bernard, do Instituto de pesquisas do Centro de saúde da Universdade McGill de Montreal.

"No futuro nossas conclusões poderiam servir para dopar de um certo modo o sistema imunitário natural e combater assim o vírus logo quando ele entra no corpo", acrescentou.

O estudo foi publicado quarta-feira pelo jornal AIDS.

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