Dois atentados a bomba aumentam a tensão no Nepal antes das eleições

Dois atentados estremeceram nesta segunda-feira o Nepal a três dias de eleições consideradas cruciais para o futuro político do reino, após acordo de paz em 2006 com os ex-guerrilheiros maoístas.

AFP |

Segundo a polícia, "pelo menos 11 pessoas ficaram feridas na explosão de uma bomba atirada contra a multidão numa zona de Katmandu durante um comício do Partido do Congresso Nepalês", declarou Ramesh Shekhar Bajracharya, um oficial da polícia de Birgunj, a 80 quilômetros ao sul da capital.

"Quem cometeu este ato tentava impedir a realização das eleições", estimou o policial.

De acordo com um responsável local, o atentado foi reivindicado por um dos 10 grupos étnicos ativos no sul do Nepal que exigem maior autonomia política.

Horas antes, outro atentado a bomba feriu uma pessoa próximo aos escritórios das Nações Unidas em Katmandu.

O Nepal elege na próxima quinta-feira uma Assembléia Constituinte encarregada de pôr fim à Monarquia no país, declarar a República e elaborar uma nova Constituição, consagrando o acordo de paz de 2006 com os maoístas que pôs fim a 10 anos de guerra civil (13.000 mortos).

Está previsto que a Assembléia vote na transformação da única monarquia hinduísta do mundo em uma República federal.

Este, pelo menos, é o plano estipulado em acordo assinado em dezembro do ano passado por sete partidos políticos, entre eles o Congresso nepalês e os maoístas, reunidos em um governo de coalizão desde abril de 2007.

Este cenário era inconcebível há até dois anos quando a classe política se aliou aos maoístas nas manifestações pró-democráticas de 2006, obrigando o rei Gyanendra a renunciar a seus poderes absolutos.

Os analistas calculam que o acordo de paz de 2006 é frágil e não descartam uma nova onda de violência.

Várias bombas caseiras sacudiram diversas regiões do Nepal durante as últimas semanas.

Ainda que estes atentados não tenham sido reivindicados, a imprensa local os atribui a grupos maoístas ou monárquicos, interessados em desestruturar o processo eleitoral.

A planície ao sul de Terai, fronteira com a Índia, é local, há mais de um ano, de atos violentos e atentados, dentro de um contexto de reivindicações de minorias etnicas.

O reino do Nepal, localizado entre a Índia e a China e separado pelo Tibete pelas montanhas do Himalaia, é um dos países mais pobres do mundo e sua sociedade é dividida em castas.

O chefe da Missão das Nações Unidas no Nepal (Minum), que supervisiona o processo de paz, Ian Martin, pediu para que fosse evitada a violência durante as eleições.

O ex-líder insurgente Prachanda, um professor convertido em revolucionário que sonha com a presidência da República, garante que "não há lugar no Nepal para uma monarquia".

Apesar de o rei ser "odiado", muitos de seus súditos o consideram uma encarnação do Deus hindu Vishnu e se mantém fieis a uma forma de "monarquia simbólica", segundo as pesquisas.

"Caso os maoístas tomem as armas novamente e cheguem ao poder, os hindus responderão à altura. Será pior que a 'guerra popular'; maoístas e muita gente morrerão", alertou um conselheiro real, o general Bharat Keshwer Simha.

Por outro lado, os maoístas acusam os generais "de conspirar para preparar um golpe de Estado" e impedir a abolição da monarquia.

Se nenhum partido obtiver a maioria nas eleições da próxima quinta-feira, o International Crises Group (ICG) teme "um período pós-eleitoral difícil e perigoso".

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