Dois anos após deixar poder, Fidel continua a ter voz em Cuba

Por Jeff Franks HAVANA (Reuters) - A era de Fidel Castro parecia estar chegando ao fim no dia 30 de julho de 2006, quando o líder cubano entregou o comando do país ao irmão Raúl Castro por conta de um problema de saúde.

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No entanto, dois anos mais tarde, o ex-presidente de 81 anos continua a ser uma força dentro do governo cubano e, em alguns casos, até mesmo no cenário internacional.

Apesar de não comandar mais a ilha caribenha como ocorreu durante quase 50 anos, Fidel ainda se faz ouvir pelo irmão e lança mão da nova carreira de colunista de jornal para divulgar suas opiniões.

Fofocas que circulam nos coquetéis de diplomatas em Havana dão conta de que o ex-presidente usa seu respaldo para brecar as reformas econômicas desejadas pelo irmão e manter Cuba afiliada a sua idéia de socialismo. Mas os irmãos Castro negam haver qualquer tipo de desavença entre eles.

Certeza é que Fidel realizou uma notável volta aos palcos após ter chegado, aparentemente, perto da morte em meio a uma cirurgia intestinal a que se submeteu em julho de 2006, em virtude de uma doença não divulgada.

Fidel entregou o poder em caráter provisório a seu irmão e não foi mais visto em público desde então, aparecendo apenas ocasionalmente em vídeos divulgados pela TV oficial do país.

Nas primeiras gravações, levadas ao ar meses depois da cirurgia, os cubanos ficaram chocados ao ver o quão frágil e magro estava Fidel.

Em fevereiro, ele renunciou oficialmente ao cargo de presidente, permitindo que a Assembléia Nacional elegesse Raúl, 77, como sucessor.

No entanto, ao invés de perder visibilidade gradualmente, como muitos esperavam, Fidel ressurgiu.

Em junho, após ficar cinco meses afastado das câmeras, um Fidel mais robusto pôde ser visto em vídeos reunindo-se com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e com He Guoqiang, uma autoridade chinesa.

Seguiu-se uma avalanche de colunas de jornal assinadas por ele e tratando dos assuntos mais variados (desde a equipe olímpica de beisebol às relações entre as Coréias do Norte e do Sul).

Pessoas que se encontraram com ele dizem que a saúde de Fidel melhorou e que ele está bem mentalmente.

O ex-presidente escreveu em uma coluna a respeito do encontro de cinco horas com o amigo de velha data Gabriel García Márquez, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. O escritor colombiano depois afirmou à agência cubana de notícias Prensa Latina que Fidel discorreu 'sobre muitos assuntos, com grande profundidade e lucidez'.

(Reportagem adicional de Rosa Tania Valdes)

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