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Doha: Stephanes deve achar que estou me divertindo , diz Amorim

O chanceler Celso Amorim disse nesta quinta-feira em Genebra que o ministro da Fazenda, Reinhold Stephanes, deve achar que ele, Amorim, está se divertindo nas negociações da Rodada Doha, que entraram em seu quarto dia. Em entrevista ao jornal O Estado de S.

BBC Brasil |

Paulo, Stephanes afirmou que a negociação para liberalizar o comércio global "não servirá para nada" e que a abertura dos mercados acabará acontecendo "por razões de mercado".

"Se ele realmente pensa isso, então deve achar que estou me divertindo aqui", reagiu Amorim, que na quarta-feira passou mais de 12h reunido com os demais membros do G7 (Estados Unidos, União Européia, Japão, Índia, China e Austrália).

O chanceler continua evitando dar declarações aos jornalistas sobre o andamento dos debates.

Segundo o porta-voz da OMC, Keith Rockwell, "o momento é muito delicado e a discrição agora é um elemento crucial".

O primeiro compromisso de Amorim nesta quinta-feira foi uma reunião bilateral com seu homólogo argentino, Jorge Taiana, um dos mais resistentes à maior abertura do setor industrial - tema que está entre os que estão travando o acordo, devido à exigência dos países desenvolvidos.

Em seguida, o ministro se reuniu com o negociador europeu, o comissário de Comércio, Peter Mandelson; com o ministro de Comércio indiano, Kamal Nath, e com a representante comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab.

Amorim saiu dos encontros convencido de que "as posições estão se aproximando", apesar de que "ainda falta muito trabalho pela frente".

Indefinição
Brasil, Índia, Estados Unidos e União Européia também voltaram a se reunir com China, Austrália e Japão, os demais membros do G7, para chegar a conclusões que seriam posteriormente debatidas dentro de uma reunião mais ampla, com um grupo restrito de trinta países.

O novo formato de negociação determinado pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, foi criticado por muitos sócios na rodada, que se sentem excluídos das principais decisões.

Em resposta, Rockwell justificou que "a frustração dos que são deixados de fora é compreensível", mas que a idéia do sistema é privilegiar um diálogo mais intenso sobre as dificuldades que impedem um acordo nos principais pontos de Doha: corte de subsídios agrícolas por parte dos países ricos e abertura do setor industrial por parte dos países emergentes.

"Se já é difícil chegar a um acordo em um grupo pequeno, está claro que é impossível em um grupo grande", afirmou.

O debate sobre o capítulo de serviços, inicialmente agendado para esta quinta-feira, logo adiantado para a sexta-feira, agora foi empurrado para sábado, o que deixa evidente que será impossível concluir as negociações nesse dia, como estava previsto.

Algumas delegações já ampliaram suas reservas de hotel até a próxima quarta-feira.

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