Doha: impasses em agricultura e indústria prolongam debate

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, manteve os sete principais negociadores da Rodada Doha reunidos até a madrugada desta quinta-feira, em Genebra, na tentativa de avançar nos pontos que geram maior discórdia na atual proposta. Até a 1h00 de Genebra (23h00, hora de Brasília) nenhuma proposta nova havia surgido nas negociações e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deixou a sede da OMC nervoso e mal-humorado, sem dar declarações aos jornalistas.

BBC Brasil |

O chanceler esteve reunido com os representantes de Estados Unidos, União Européia, Japão, Índia, China, Austrália e Japão desde o início da tarde, com uma agenda centrada em 11 tópicos relacionados às propostas de cortes de subsídios agrícolas e abertura do setor industrial.

Para Lamy, uma reunião restrita permitiria aos negociadores jogar mais abertamente sobre suas possibilidades de movimento e seria, portanto, a melhor forma de destravar questões polêmicas.

Durante uma pausa na reunião, o ministro de Comércio indiano, Kamal Nath, disse estar satisfeito com o rumo do debate, mas faltaram elementos que justificassem o seu otimismo.

"Estamos reconciliando muitas coisas", disse. "Se o acordo estivesse morto não voltaríamos a nos reunir em uma hora. Isso é um bom sinal."
Mas o embaixador permanente da Índia ante a OMC, Ujal Singh Bhatia, afirmou em seguida que havia "uma séria de incertezas" no ar.

Impasse
O impasse neste terceiro dia de negociações se deve à rejeição dos países em desenvolvimento, especialmente os membros do G20, em oferecer maior acesso a seus mercados para produtos industrializados e aceitar a exigência das grandes potências de estabelecer uma cláusula anti-concentração, que impediria que os países emergentes blindem todo um setor de suas indústrias do corte de tarifas de importação.

Seria uma forma de evitar que Brasil e Argentina protejam, por exemplo, toda a indústria automotiva ou, que a China proteja toda a sua indústria têxtil, dois setores importantes para União Européia (UE) e os Estados Unidos, que poderiam competir com vantagem com produtores de países emergentes.

Por outro lado, europeus e americanos se negam a melhorar suas propostas de corte de tarifas de importação e de subsídios agrícolas, como pede o G20 e outros países de baixa renda, antes de receber algo em troca pelos movimentos que já fizeram.

A UE argumenta que já foi bastante generosa ao assumir, por iniciativa própria, uma reforma de sua política agrícola comum (PAC) - que resultará em uma redução de 13% em seus subsídios até 2013 - e propor agora um corte de 54% nas tarifas de importação.

Por sua parte, os Estados Unidos insistem que sua nova oferta, de limitar a US$ 15 bilhões à ajuda a seus produtores, é um passo suficientemente grande para merecer uma recompensa dos outros sócios da OMC.

"Colocamos uma proposta nova e importante na mesa. Agora esperamos que nossos parceiros façam o mesmo", disse a representante comercial americana, Susan Schwab.

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