Doha: EUA prometem nova proposta para corte de subsídios

A principal voz americana em negociações comerciais disse nesta segunda-feira que os Estados Unidos estão prontos para apresentar uma nova proposta para o corte de seus subsídios agrícolas - uma das maiores exigências dos países em desenvolvimento para avançar com as negociações para a liberalização do comércio global. Sabemos que temos que fazer muito mais contribuições e o faremos.

BBC Brasil |

Os Estados Unidos têm uma posição de liderança total e manterão essa posição", afirmou a representante comercial norte-americana, Susan Schwab, antes do início de negociações entre ministros de mais de 35 países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra.

A reunião, no âmbito da Rodada Doha, está sendo considerada crucial porque, na falta de um acordo agora, as negociações serão dificultadas pelas eleições presidenciais nos Estados Unidos, em novembro, e pelas eleições européias, em junho de 2009.

Schwab admitiu que, no papel de líder mundial, os Estados Unidos têm a "responsabilidade" de ir além do que já ofereceram, mas ressaltou que também espera novas propostas dos demais países, "inclusive dos países em desenvolvimento mais importantes".

"Nenhum país ou dois, sozinhos, serão capazes de concluir a Rodada com sucesso, sem o compromisso ativo e a contribuição de todos nossos colegas", disse Schwab. "Todos sabemos que teremos que fazer escolhas duras."
No sábado, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, criticou os subsídios nas negociações da Rodada Doha e ressaltou que a atual proposta permitiria aos Estados Unidos conceder até US$ 13 bilhões em ajudas a seus agricultores, o dobro da atual cifra de cerca de US$ 7 bilhões.

Para Schwab, a posição dos Estados Unidos em relação aos subsídios agrícolas "é uma desculpa conveniente para muitos países que preferem não tocar na outra parte das negociações", como a questão do acesso a mercado para bens industriais e serviços.

Contrapartida
Os países ricos querem maiores cortes de tarifas de importação nesses setores, mas os sócios mais pobres tentam proteger um setor no qual consideram que não poderiam competir em igualdade.

"Qualquer estudo que se considere deixa claro que, em uma negociação comercial, não é com o corte de subsídios, e sim com a abertura dos mercados, que se pode contribuir mais com o crescimento e o desenvolvimento econômicos", defendeu.

De sua parte, a União Européia ofereceu reduzir os subsídios agrícolas em 60% em troca de uma redução nas tarifas de importação dos bens industriais e serviços dos países emergentes.

Segundo o representante de comércio da UE, Peter Mandelson, esta é a melhor oferta já apresentada pelo bloco.

Polêmica
A representante norte-americana se negou a comentar as afirmações feitas por Amorim no sábado, acusando os países desenvolvidos de utilizar táticas de comunicação nazistas para passar a mensagem de que dão mais concessões em agricultura que os demais sócios em indústria.

"Goebbels dizia que uma mentira repetida várias vezes se torna verdade. Quando eu escuto essas afirmações, não posso evitar lembrar de Goebbels", disse o chanceler brasileiro, citando o chefe da propaganda nazista durante o regime de Adolf Hitler.

A declaração foi qualificada de "infeliz" pelo porta-voz de Schwab, filha de sobreviventes do holocausto.

Hoje Schwab quis virar a página e afirmou que está em Genebra "para concluir um trabalho: conseguir um acordo de sucesso para a Rodada Doha".

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