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Doha atravessa momento crítico , diz OMC

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, alertou, nesta sexta-feira, que as negociações da Rodada Doha atravessam um momento crítico e irão fracassar se não houver uma mudança radical na posição dos principais negociadores. Segundo Lamy, é preciso que os representantes consigam um rápido progresso, ainda hoje.

BBC Brasil |

"A não ser que as posições mudem, e radicalmente, o acordo que todos vocês vieram fechar aqui esta semana não será possível, com todas as consequências que isso possa implicar", afirmou Lamy, segundo seu porta-voz, Keith Rockwell.

De acordo com o diretor geral, as negociações estão "em um momento crítico" e a aproximação das posições é "dolorosamente lenta depois de uma semana de reuniões a nível ministerial".

"Temos que mudar de marcha para aproveitar o pouco tempo que sobra", enfatizou o diretor em seu alerta aos cerca de 30 ministros reunidos em Genebra.

Flexibilidade
Lamy espera que Estados Unidos e União Européia melhorem suas ofertas de redução de subsídios e corte de tarifas de importação no setor agrícola.

Ele também pede que os países em desenvolvimento, liderados por Brasil e Índia, sejam flexíveis no capítulo industrial em relação às cláusulas anti-concentração. Lamy espera também maior flexibilidade nos acordos setoriais com os quais se incentivaria um corte mais alto nas tarifas de setores específicos - algo que os americanos querem tornar obrigatório.

Ao chegar à sede da OMC nesta sexta-feira, Celso Amorim voltou a dizer que este é o dia do "vai ou racha".

Ainda assim, o ministro estava bem-humorado. Questionado sobre sua opinião acerca de um possível acordo nesta sexta-feira, Amorim disse que acreditava nessa possibilidade e enfatizou: "Mas é que eu tenho muita imaginação", brincou.

Etanol
Na quinta-feira, o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, escreveu em seu blog que ofereceu um acordo que daria mais acesso para o etanol brasileiro ao mercado da UE e que Amorim teria recusado a proposta.

"Surpreendentemente, dada a importância do tema para Brasília, Amorim pareceu minimizar o valor da proposta", escreveu Mandelson.

A delegação brasileira afirma que desconhece a informação e acusa o negociador europeu de tentar "causar intrigas".

"É preciso ver a que tipo de proposta Mandelson se refere. Amorim já tinha falado que desconfiava que a UE tentaria estabelecer cotas para o etanol (o que limitaria a quantidade do produto que poderia ter acesso ao mercado europeu com tarifas reduzidas). Se essa foi sua proposta, então é lamentável", disse um integrante da equipe brasileira.

África
O quinto dia de reuniões começa com apenas uma certeza: o Grupo dos Sete (Brasil, Índia, Estados Unidos, China, Austrália, Japão e a União Européia) volta a se reunir para tentar superar o impasse.

"O resto da agenda irá sendo definida durante o dia, dependendo do resultado dessa reunião", explicou Rockwell.

Segundo o porta-voz, o criticismo acerca desse sistema diminuiu, já que os demais países entenderam que o grupo restrito "reúne, em uma mesma sala, 80% do comércio mundial".

Ainda assim, os dez ministros africanos que participam das negociações cobraram que o Grupo dos Sete assuma as responsabilidades de sua liderança.

A África é responsável por menos de 3% do comércio mundial e os ministros do continente culpam os altos subsídios dados por países ricos de ameaçar sua produção agrícola e torná-los dependentes de ajudas externas.

"Estamos aqui desde domingo, sendo pacientes. Mas é preciso que o G7 entenda que as questões que tem diante não são apenas seus interesses, e sim os interesses e as necessidades de todos nós", disse o ministro de Comércio do Kênia, Uhuru Kenyatta.

Seu homólogo de Burkina Faso, Mamadou Sanon, reclamou que a questão dos altos subsídios que Estados Unidos dão aos produtores de algodão ainda não tenha sido tratada.

"Os ministros dos países ricos podem negociar durante o tempo que quiserem, mas nós não podemos esperar eternamente. A indústria do algodão em meu país, da qual dependem milhares de vidas, está desaparecendo, e isso está aumentando a miséria", criticou.

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