Doente, ativista indiano interrompe jejum contra corrupção

Anna Hazare parou greve de fome de três dias para exigir que o Parlamento da Índia endureça uma lei anticorrupção

iG São Paulo |

O ativista indiano Anna Hazare, de 74 anos, interrompeu nesta quarta-feira uma greve de fome que deveria durar três dias , como parte da sua campanha pelo endurecimento das leis anticorrupção no país.

"Decidimos que eu iria encerrar meu jejum hoje", disse Hazare, que havia iniciado a greve de fome na véspera. Com pressão baixa e sobrecarga renal, ele foi orientado pelos médicos a voltar a se alimentar.

Os deputados indianos aprovaram na terça-feira um projeto que cria o cargo de ombudsman anticorrupção , conforme reivindicara Hazare em uma greve de fome anterior neste ano, que durou duas semanas.

Mas o ativista decidiu reiniciar seu protesto porque considerou que a versão do projeto submetida ao Parlamento era branda demais, e deveria receber emendas.

A mobilização popular causada pela primeira greve de fome de Hazare neste ano forçou o governo a se comprometer a aprovar ainda em 2011 um projeto contra a corrupção no país.

O projeto segue agora para o Senado, onde o governo não tem maioria. Os senadores podem devolver o texto à Câmara para que vote eventuais emendas, retardando assim a sua aprovação final.

"Faremos atos nos cinco estados (que em breve têm eleições legislativas) e ali despertaremos as pessoas pedindo para que não votem em traidores", disse o ativista gandhiano, que acrescentou que suspendia os demais protestos dos próximos dias.

A falta de apoiadores ao jejum foi relativizada por Hazare e sua equipe, que atribuíram a baixa adesão às dificuldades do transporte público em Mumbai, onde ocorreu o protesto.

"Este é o início de uma longa luta. Talvez demoremos 10 ou 20 anos para vencer", admitiu Hazare após anunciar que depunha seu protesto, embora tenha dito: "a atual lei anticorrupção é um perigo para a democracia".

A corrupção é percebida pela população indiana como um dos problemas mais graves do país. Uma pesquisa divulgada este ano apontou que a maioria dos indianos (60%) acredita que seu Governo é corrupto e apoia os ativistas que lutam contra esta praga.

Reuters
O ativista indiano Anna Hazare, de 74 anos, acena após desistir da greve de fome por motivos de saúde

* Com EFE e Reuters

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