Documentos do FBI revelam preocupação de Saddam com o Irã

Documentos liberados pelo FBI, a polícia federal norte-americana, e divulgados nesta quinta-feira mostraram informações sobre os interrogatórios do líder iraquiano Saddam Hussein depois de sua captura no Iraque, em 2003. Segundo estes documentos, Saddam não permitiu que os inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) entrassem no país no final da década de 90 por não querer que o Irã descobrisse o enfraquecimento do Iraque.

BBC Brasil |

Em seu depoimento, Hussein afirma que acabou permitindo a entrada dos inspetores no Iraque para tentar evitar a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003, mas acreditava que os americanos já tinham se decidido pela guerra.

Os documentos foram divulgados por um instituto não-governamental de pesquisa dos Estados Unidos, o National Security Archive, de acordo com as regras de liberdade de informação vigentes nos Estados Unidos, e são baseados em entrevistas e conversas informais mantidas pelo líder iraquiano com o FBI.

Além de informações históricas, os documentos trazem também detalhes pessoais sobre a vida do líder iraquiano, que foi executado em dezembro de 2006.

Telefonemas e mudanças

Entre as revelações pessoais, Saddam Hussein afirmava que se lembrava de ter usado o telefone apenas duas vezes depois de março de 1990 e que mudava sua localização todos os dias por motivos de segurança.

Saddam Hussein negou e riu das informações que afirmavam que ele usava dublês para confundir as pessoas a respeito de seus movimentos pelo país.

O líder iraquiano também revelou que a fazenda na qual foi capturado em dezembro de 2003 foi o mesmo local no qual se refugiou depois de participar de um golpe de Estado mal sucedido em 1959.

Hussein também dá suas razões para a invasão do Irã em 1980 e do Kuwait, dez anos depois. O líder iraquiano afirmou nas entrevistas que tinha certeza que o Irã permanecia a maior ameaça ao Iraque e, por isso, impediu que os inspetores de armas da ONU entrassem em seu país na década de 90, apesar de já ter se livrado das armas de destruição em massa naquela época.

Para Hussein era preferível se arriscar e enfrentar a cólera dos americanos do que permitir que o Irã soubesse como o Iraque estava enfraquecido.

Mas o líder iraquiano admitiu que foi um erro não permitir que a ONU registrasse a destruição destas armas em 1998. Saddam Hussein afirmou que isto deixou o Iraque enfraquecido enquanto o Irã estava livre para desenvolver suas armas. E previu que o Irã se transformaria em uma grande ameaça para a região.

Bin Laden

Os documentos também revelam que Saddam Hussein negou as sugestões dos americanos, de que ele tinha ligações com o líder da organização Al-Qaeda, Osama Bin Laden, a quem o iraquiano chamou de "fanático". Em outra ocasião ele citou a Coreia do Norte como seu mais provável aliado, segundo os documentos.

Saddam Hussein assumiu nos interrogatórios a responsabilidade pessoal por ordenar o lançamento de mísseis Scud contra Israel durante a Guerra do Golfo em 1991, culpando Israel e sua influência nos Estados Unidos "por todos os problemas dos árabes".

Entre suas vitórias, o líder iraquiano citou o desenvolvimento do Iraque e também a sobrevivência do país durante a guerra de oito anos contra o Irã e os 12 anos de sanções da ONU contra o país.

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