San José, 15 mai (EFE).- Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Nicarágua, Daniel Ortega, assim como um ex-governante, uma ex-primeira-dama e um deputado da Costa Rica, entre outros, são citados em documentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) revelados hoje neste país, onde o Congresso investiga possíveis nexos dessa guerrilha com políticos.

O opositor Partido Ação Cidadã (PAC), membro da comissão investigadora do Congresso costarriquenho, revelou hoje documentos provenientes de um computador de "Raúl Reyes", número dois das Farc morto pelo Exército colombiano no ataque do dia 1° de março no Equador.

Os documentos, aos quais a Agência Efe teve acesso, são e-mails que contêm 36 menções a políticos, cidadãos e dirigentes estudantis e sindicais da Costa Rica, nos quais também sobressaem elogios ao presidente da Venezuela e referências a Ortega.

Em mensagem de 18 de outubro de 2007, "Reyes" louva Chávez ao qualificá-lo como "um verdadeiro bolivariano" que está "bem comprometido com a visão de integração e solidariedade com os povos da região e particularmente disposto a apoiar os processos revolucionários".

Destaca, além disso, o poder econômico da Venezuela por seu petróleo e afirma que Chávez mantém uma "fluente comunicação" com chefe da guerrilha, Manuel Marulanda, na qual "tratam de diversos temas, com ênfase na troca de prisioneiros" - em referência à troca de seqüestrados por guerrilheiros presos.

Um dos documentos ainda acrescenta que Chávez está "envolvido no estudo de documentos nossos (das Farc) dos quais deseja extrair idéias e experiências para a condução de seu socialismo".

"Pela mesma circunstância, nos corresponde insistir firmemente na realização da eventual cúpula Chávez-Marulanda, que é estratégica em função de nossos planos pela nova Colômbia, a pátria grande e o socialismo", indica a nota.

Os correios também mencionam, aparentemente, Daniel Ortega, em uma carta de 1º de março de 2000, na qual "Reyes" parabeniza o guerrilheiro "Andrés Paris" por ter falado "com Ortega e Tomás".

"O grave é que o que foi conversado com Daniel não teve resultados aqui, sabemos que eles têm bons contatos para os foguetes e outras coisas", lamentou "Reyes".

Além disso, se vê um pedido a Andrés Paris para que "movimente o que seja necessário para sua presença no Parlacen (Parlamento Centro-Americano)".

Nessa nota, "Reyes" diz a Paris que "é necessário consolidar a relação com os líbios", embora acrescente que é "impossível" atender nesse momento a um "convite".

O relatório divulgado hoje foi facilitado pela Colômbia à Direção de Inteligência e Segurança Nacional da Costa Rica, que por sua vez o remeteu aos legisladores.

O documento também cita pessoas com as quais as Farc tiveram contato no país nos últimos anos, entre elas o ex-presidente Rodrigo Carazo (1978-1982) e o deputado de esquerda José Merino.

Também cita a ex-primeira-dama Josette Altman, esposa do ex-presidente José María Figueres Olsen (1994-1998), o líder sindical Jorge Arguedas, ex-membros da Federação de Estudantes da Universidade da Costa Rica (FEUCR) e a Associação Nacional de Empregados Públicos e Privados.

Além disso, ainda se faz referência clara a Cruz Prado e Francisco Gutiérrez, professores em cuja casa as autoridades encontraram em março US$ 480.000, pertencentes às Farc, enterrados em um caixa-forte.

Sobre Carazo, um correio enviado em 19 de novembro de 2002 por "Darío" e "Cielo" diz: "acreditamos ser de grande utilidade a possibilidade de uma conversa com Rodrigo Carazo, ex-presidente da Costa Rica. É um homem com boa ascendência nos setores de esquerda desse país".

Em outro, de fevereiro de 2002, enviado por "Reyes" ao rebelde "Rodrigo Granda", diz que "é claro o avanço do amigo Rodrigo Carazo; (que) seria preciso ver se finalmente estiveram com ele José Merino e outras pessoas do partido".

Os correios de "Reyes" de 2001 mencionam o interesse das Farc em divulgar uma revista nos arredores da Universidade da Costa Rica, assim como a disposição da FEUCR em transmitir na rádio universitária comunicados e música da guerrilha.

O alerta sobre os vínculos das Farc na Costa Rica foi dado pelo ex-ministro de Segurança Fernando Berrocal, que foi distanciado de seu posto em março passado. EFE dmm-nda/fb

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