Londres, 10 dez (EFE).- Um documentário que mostra um homem acabando com sua vida por suicídio assistido e será transmitido esta noite pela televisão causou hoje polêmica no Reino Unido, onde grupos antieutanásia o tacharam de voyeurismo macabro.

Intitulado "Direito de morrer?", o documentário, que vai ao ar pelo canal "Sky Real Lives", dirigido por John Zaritsky, capta o instante da morte do americano Craig Ewert, um doente terminal de 59 anos, em setembro de 2006.

Pai de dois filhos, Ewert, um ex-professor universitário que se mudou para a Inglaterra para "escapar os Estados Unidos de (George W.) Bush", sofria de uma doença neurológica motora degenerativa que o deixou completamente paralítico.

Reticente a passar o resto de sua vida em um "túmulo com vida" e submetido a uma contínua "tortura", o doente viajou para Zurique (Suíça) e ingressou em uma clínica da controvertida organização especializada em suicídio assistido Dignitas.

O documentário mostra Ewert, prostrado em uma cama e com o rosto entubado, trocando um último beijo com sua mulher, Mary, a quem lhe diz: "Carinho, te amo tanto".

Mary, com quem compartilhou 37 anos de sua vida, responde: "Tenha uma boa viagem. Nos veremos no futuro".

"Eu gostaria seguir adiante, mas realmente não posso. Quando estás totalmente paralisado, não podes falar, não podes andar, não podes movimentar os olhos, como fazer alguém saber que sofres?", confessa o ex-professor de informática.

A continuação, os responsáveis de Dignitas, que cobraram US$ 4,5 mil de Ewart para realizar seu desejo, fornecem uma mistura de sedativos letal que o doente toma, com Mozart, como música de fundo.

Pouco antes de fechar seus olhos para sempre, Craig Ewert se despede com um simples "obrigado".

Em declarações divulgadas hoje pelo jornal "The Independent", a mulher do ex-professor defende a transmissão porque, em sua opinião, ajudará as pessoas a "enfrentarem seus temores" sobre os "tabus" da morte.

Zaritsky, ganhador, em 1983, de um Oscar, admitiu que o filme provocará controvérsia, mas ressaltou a importância de que gere debate.

O diretor da associação "Assistência, Não Morte", Peter Saunders, chamou o documentário de "voyeurismo macabro" e de "cínica tentativa de impulsionar os índices de audiência televisiva".

Domenica Roberts, da "Aliança Pró-Vida", disse que é "triste e perigoso mostrar este tipo de coisas em televisão", pois se envia a mensagem que a vida de algumas pessoas "não tem nenhum valor".

A diretora do "Sky Real Lives", Barbara Gibson, defendeu o documentário ao argumentar que aborda "um assunto que afeta cada vez a mais gente", e se trata de um filme "informativo, eloqüente e educado". EFE pa/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.