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Documentário qualifica Chávez de líder cômico que constrói sua própria lenda

Fernando Mexía. Los Angeles (EUA), 19 nov (EFE).- Um documentário sobre Hugo Chávez produzido nos Estados Unidos afirma que o presidente venezuelano é um líder carismático e cômico, que se esforça para se transformar em um mito, e qualifica as políticas socialistas dele de um fracasso após uma década no poder.

EFE |

A reportagem, da qual participaram ex-funcionários do Governo, parceiros de Chávez, jornalistas e cidadãos, será transmitida em inglês e espanhol em 25 de novembro no programa "Frontline", da rede pública americana "PBS".

Intitulado de "The Hugo Chávez Show", o documentário toma como fio condutor da história o programa televisivo semanal apresentado pelo chefe de Estado sul-americano, "Alô, Presidente".

"É um local no qual se exibe o processo de tomada de decisões, no qual o presidente é o que toma as corretas e preserva sua imagem das más, que caem sobre seus ministros, julgados ante os milhões de espectadores", afirma a professora Colette Caprilies, da Universidade Simón Bolívar.

O "Alô, Presidente", que pode ter entre 5 e 8 horas de duração, mostra o governante venezuelano falando diretamente para o povo e explicando suas idéias e políticas, discursos que às vezes alterna com música ou poesia.

"Chávez pode ser caricaturado facilmente por poder ser gracioso e cômico. Canta, faz jogos de palavras e provavelmente foi o primeiro presidente virtual na era da revolução das comunicações", afirma o jornalista Jon Lee Anderson, especialista da revista "The New Yorker" na América Latina e no Oriente Médio.

Já Alberto Barrera, autor do livro "Hugo Chávez sem uniforme", destaca a capacidade dialética deste governante, capaz de entreter durante horas, de "ser emotivo e manter a atenção".

Um carisma que, segundo Barrera, transforma Chávez em "um mito em construção".

"Chávez necessita de uma história épica e acho que isto o machuca muito. Ou seja, não chegou ao poder tirando um ditador, não foi invadido por ninguém e está gritando por Bush para ver se assim lhe responde, necessita de inimigos. Não pode dizer que é um grande revolucionário se não for uma ameaça", declarou Barrera.

A impulsividade é outra das características que aparecem no documentário sobre o presidente venezuelano, já que chegou a ordenar ao vivo a mobilização de 10 batalhões para a fronteira com a Colômbia e a anunciar que retiraria seu país do Fundo Monetário Internacional (FMI), duas decisões que foram canceladas.

"Ele não domina sua língua, sua língua é maior que ele e solta coisas das quais se arrepende depois", afirmou Teodoro Petkoff, político opositor, ex-ministro do país e editor do jornal "Tal Cual".

A forma de Chávez se expressar perante as câmaras foi precisamente, segundo a reportagem, a principal ferramenta que conduziu aquele que já foi militar golpista e preso a ganhar duas vezes as eleições presidenciais na Venezuela.

Os comentaristas explicam que o documentário destacou até sua fracassada tentativa de derrubar o Governo do país em 1992, quando ele aceitou se render, mas se dirigindo ao povo.

"Sua mensagem foi eletrizante, havia algo de especial", declara Barrera.

"Seu discurso caiu como chuva em campo seco", acrescentou Petkoff.

Após a bem-sucedida ascensão ao poder de Chávez, o documentário retratou o líder latino-americano como autoritário e pouco amigo das críticas e tratou de colocar em evidência sua gestão, descrita como incapaz de redistribuir a riqueza petrolífera entre os necessitados.

A Agência Efe entrou em contato com a Embaixada da Venezuela em Washington em uma tentativa infrutífera de obter a opinião das autoridades deste país sobre o conteúdo da reportagem.

O programa termina mostrando um país pobre dividido entre partidários e opositores de um Chávez que sofreu um golpe de Estado e não conseguiu o apoio cidadão para mudar a Constituição e cuja mensagem deixou de vender esperança para parecer "mais uma ameaça".

EFE fmx/ab/fal

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