Documentário mostra detalhes da operação que libertou Betancourt

Bogotá, 15 out (EFE) - Um documentário da National Geographic sobre o resgate da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, de três americanos e 11 policiais em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi exibido hoje a jornalistas em Bogotá.

EFE |

A fita, de 50 minutos de duração e que passará neste sábado na América Latina, apresenta detalhes e revelações de vários militares colombianos protagonistas da "Operação Xeque", que permitiu resgatar os 15 seqüestrados das Farc em 2 de julho.

O documentário utiliza alguns vídeos inéditos do Exército e das próprias Farc, e recorre a "dramatizações" dos momentos de maior tensão para a equipe de resgate durante a operação na qual a principal guerrilha colombiana foi enganada.

Revela, por exemplo, como os militares, em um paciente trabalho de anos, conseguiram penetrar nos códigos de comunicações das Farc, imitam as vozes de seus interlocutores, e inclusive um dos homens dos serviços de inteligência do Exército admite que entre estas chaves figuravam "fórmulas de álgebra".

A "Operação Xeque" mostra a ação militar encoberta como a missão humanitária de uma ONG, na qual não faltou um "jornalista", uma "enfermeira", dois "guerrilheiros" e "ativistas" da organização que supostamente levaria os reféns a um acampamento do líder do grupo, conhecido como "Alfonso Cano".

No filme, os participantes da operação aparecem recebendo aulas de interpretação, treinando para render os carcereiros das Farc e um deles aparece inclusive com um colete do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Também se vê claramente o "jornalista" com um colete e microfones com os sinais da cadeia internacional "Telesur" e da equatoriana "Ecuavisa".

O uso desses símbolos gerou polêmica, reivindicações, explicações e desculpas por parte do Governo colombiano.

Além disso, no documentário aparecem os oficiais que organizaram a operação, os generais Freddy Padilla de León e Mario Montoya, comandantes das Forças Militares e do Exército, respectivamente, e um dos pilotos do helicóptero usado na missão.

Há também depoimentos de vários dos militares libertados, como o tenente de Exército Raimundo Malagón, que permaneceu seqüestrado pouco mais de 10 anos.

Betancourt e os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalvez faziam parte de um grupo de 40 reféns que as Farc buscavam trocar por 500 rebeldes presos.

O diretor do documentário, o jornalista colombiano Álvaro García, afirmou que a fita é um trabalho de repórteres, "metódico e organizado", mas reconheceu que talvez a única coisa que tenha faltado, embora "tenha sido tentado", foi gravar declarações dos dois guerrilheiros capturados durante a operação.

Na ação foram capturados Gerardo Antonio Aguilar, conhecido como "César", e Alexander Farfán, "Enrique Gafas", os carcereiros de Betancourt e dos demais reféns libertados, que são solicitados em extradição por autoridades dos Estados Unidos sob acusações de terrorismo e tomada de reféns. EFE rrm/db

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